Aqui no IP estão expostos os meus medos, as minhas descobertas, as conquistas, os avanços nas buscas pela cura do diabetes pelo mundo, os passinhos para um melhor controle da glicemia.

O que começou como um espaço de aprendizado e de dividir a minha convivência com o DM1, se transformou em estímulo para um melhor controle da minha doçura e para seguir mostrando que se funciona para mim, pode funcionar também para tantas outras pessoas que tem o diabetes como companheiro.

07 abril, 2016

A saúde mundial e o alerta contra o diabetes: é hoje o dia!

Este ano a Organização Mundial da Saúde definiu como tema do Dia Mundial da Saúde o diabetes.

Segundo o Atlas do Diabetes publicado pela Federação Internacional do Diabetes (IDF) em 2015, hoje são cerca de 415 milhões de adultos com diabetes no mundo.
A situação não melhora quando tratam das crianças: 542 milhões, no mundo.

No Brasil, hoje somos 14,3 milhões de adultos, lado a lado de 30,9 milhões de crianças.

Os números são muito alarmantes e de acordo a IDF, tendem a aumentar. 
O que causa esse crescimento constante?

No caso do diabetes tipo 1, não é possível prever. Por se tratar de uma doença autoimune, fatores externos e que fogem ao nosso controle podem ser a fagulha inicial: um vírus, uma bactéria, até mesmo stress. Em relação ao diabetes tipo 2, a prevenção vem com hábitos alimentares saudáveis somados a uma rotina de exercícios físicos.

Com tudo isso, o fato é que o diabetes saiu do posto de doença fatal para o patamar de doença crônica. Continua sendo crítico e demandando cuidados 24 horas por dia, 365 dias por ano, mas já é viável tratar e manter a saúde em ordem. 

Glicosimetros, canetas de insulina, agulhas bem menores e menos invasivas. Isso tudo aliado à educação em diabetes significa um caminho de possibilidades infinitas. Um ou outro obstáculo na pista - sim, eles eventualmente aparecem - não são impeditivos pra gente chegar a qualquer lugar.

Por aqui, são sete anos convivendo com a doçura. São 7 anos aprendendo e me cuidando. 7 anos buscando entender mais e mais sobre o diabetes.
Essa é a forma que eu considero a melhor para me manter bem e seguir fazendo o que eu quiser.

A fórmula funciona assim: não quero abrir mão de fazer as coisas que eu gosto; tenho uma doença autoimune, que requer cuidado intenso e ininterrupto; o 'x' desta questão é um só: vou me cuidar e pronto!

Se eu pudesse voltar no tempo diria àquela Juliana de 2009 que ficasse calma. Diria que não é fácil, mas que não é impossível. Diria que em um certo momento o processo de furar-medir-corrigir se tornaria um processo praticamente orgânico. Diria que ela jamais estaria sozinha. 

A Juliana de hoje diz que tem dias que dá vontade mesmo de não medir a glicemia: "Ai que saco ter que furar meu dedo pela quarta vez hoje!"
Isso é comum. 

Mais, isso é normal. Assim como é normal a gente querer dormir mais cinco minutinhos quando está chovendo; normal ficar um pouco mais na praia para aproveitar o último dia do horário de verão. Normal como ligar e pedir uma pizza quando bate a preguiça de fazer o jantar (pasmem: diabéticos comem pizza!).

Os tantos 'nãos' que vinham junto com o diagnóstico tempos atrás, hoje se transformaram em possibilidades sem fim.

Mas o que vi e ouvi nesses 7 anos me mostra que ainda há muito por fazer para que cada um dos diabéticos desse país possa dormir tranquilo, sem medo de não ter insulina ou uma tira teste. 

Num momento em que medicamentos são perdidos e jogados fora, em que não há garantia de que insumos vão chegar a tempo nas mãos de cada docinho que precisa, em que insulinas análogas comprovadamente mais eficazes não foram ainda aprovadas e incluídas no protocolo de saúde, é fundamental chamar a atenção para a causa.
E no dia que poderia ser aproveitado ao máximo para chamar a atenção para tanta coisa que precisa mudar, no Brasil perdemos força.

Diferente do estabelecido pela OMS, por aqui as atenções foram para o mosquito que tem trazido bastante transtorno. Responsável por transmitir três doenças sérias - dengue, zika e chicungunha - o Aedes Aegyptifoi é o tema.
Bastante compreensível, quando consideramos a situação complexa que se instaurou no país e as consequências complicadas que ele pode trazer.

O fato é que deixar o diabetes em segundo plano é tão grave quanto!
As complicações do diabetes podem causar problemas irreversíveis, a falta de conhecimento pode ser tão ruim quanto uma glicemia descompensada. Infelizmente, pessoas ainda morrem por complicações do diabetes.
Uma oportunidade de união mundial para alertar sobre o diabetes sendo desperdiçada...

Esta semana alguns jornais chegaram a veicular matérias e entrevistas focando no número de pessoas com diabetes atualmente mas, em vista do que poderia ter sido feito, vejo como um paliativo. 

Eu sei que tem gente fazendo por onde, seja contra o absurdo da falta de insumos, seja para dar voz e força aos pacientes. 

Nossa r-evolução é azul. A precisa de transformação e de uma reforma interior, quando descobre a doçura, mas a gente quer uma reforma geral: insumos para quem precisa, consultas e tratamento integrado, educação em diabetes para todos.
A gente quer renovação e inovação: quer avanços, conhecimento e melhores tratamentos, além da renovação da força e da esperança por um vida doce sem problemas e sem limites também!
A gente quer modificação: quer acreditar que não seremos deixados de lado, acreditar que o diabetes não vai continuar a ser visto como um problema causado por displicência. Acima de tudo, o que a gente quer é que as atitudes das autoridades em relação ao diabetes não seja rasa e vazia.

Nós podemos e vamos seguir dando passos firmes para mostrar que nós não estamos presos a uma vida de restrições. Para mostrar que o diabetes não é sentença. Para mostrar que, acima de tudo, nós estamos juntos.

Quero acreditar que é possível e enquanto eu puder, vou fazer o que for preciso para ajudar a buscar o que falta!


3 comentários:

  1. Prezada amiga... as estatística mostradas aqui estão erradas. A população DM tipo um corresponde a 10% da população dabética...isto é um consenso. Não há mais DM tipo 1 do que DM Tipo 2, nem no Brasil e nem no Mundo e não estou falando da gravidade, mas de estatística mesmo. ok ...verifique suas fontes e quando elas estiverem em outro idioma vá para SBD ou ANAD ou ADJ que são aqui no Brasil.

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    1. Jacque, acho que você não entendeu o que está colocado no post. Em nenhum momento falo das estatísticas de DM1 x DM2 - estou ciente da proporcionalidade. O que cito são os números de casos de diabetes no mundo, conforme o último Atlas da IDF, divulgado em Dezembro de 2015.
      Sobre consultar as informações das instituições nacionais (SBD, ADJ, ANAD), faço com frequência, e não por questões de idioma e tradução, mas por considerar a importância e a representatividade que tem.

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  2. Olá, Juliana!
    Triste partilhar com vc a situação da política de saúde no meu municipio para o fornecimento dos insumos necessários ao tratamento dos q tem diabetes tipo 1(e tantas outras doenças crônicas). É um verdadeiro descaso a questão da saúde pública nesse nosso país... Aqui em João Pessoa meu filho já ficou 2 meses sem receber insulinas...e 1 mês sem o recebimento de fitas. Graças a Deus tenho condições de suprir essa falta, mas são tantos meu Deus que não tem...tantos impostos pagamos pra não ter o mínimo de respeito àquilo q é vital: a saúde.Infelizmente essa é a realidade em todo o Brasil...

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