Aqui no IP estão expostos os meus medos, as minhas descobertas, as conquistas, os avanços nas buscas pela cura do diabetes pelo mundo, os passinhos para um melhor controle da glicemia.

O que começou como um espaço de aprendizado e de dividir a minha convivência com o DM1, se transformou em estímulo para um melhor controle da minha doçura e para seguir mostrando que se funciona para mim, pode funcionar também para tantas outras pessoas que tem o diabetes como companheiro.

31 março, 2016

Dia da Saúde e da Nutrição...

É hoje, 31 de março. 

Na verdade, eu nem sabia que essa data existia. Mas já que tomei conhecimento, por quê não aproveitar então para reforçar algumas informações que são fundamentais para ajudar no controle da doçura?!

Vamos lá... Comer bem não significa somente evitar frituras e gordura.
Comer bem é saber dosar carboidrato, proteína, fibra e até a tal da gordura.
Como? 
Explico... 

É importante equilibrarmos tudo isso em cada refeição. Alface e arroz integral não são garantias de uma refeição 'perfeita'.

Carboidrato - o grande vilão para os diabéticos, quando consumido em exagero - é tão necessário quanto as fibras. Mas a medida certa é o que conta. 

E essa medida certa vem quando o prato também está recheado de proteína, gordura - de novo, nada de excessos, com preferência às gorduras boas (já falei um pouquinho de cada um por aqui)...
Além disso, entendermos sobre a influência de cada alimento no nosso organismo também é fundamental.
A cada furo no dedinho, é preciso analisarmos os resultados e prestarmos atenção sobre uma alteração não esperada na glicemia.
contagem de carboidratos nos ajuda muito nas correções e ajustes adicionais de insulina, mas eventualmente um ou outro alimento pode ter um impacto diferente em cada pessoa (no meu caso, particularmente, arroz branco é cruel!).

Não faço consultas frequentes com nutricionistas... Tenho uma grande amiga e também educadora em diabetes que é muito próxima e com isso, a gente acaba conversando bastante. Sempre ganho uma ou outra orientação dela e procuro aplicar no meu dia a dia - sem esquecer de que é à ela que recorro quando tenho alguma dúvida específica. 

Mas recomendo mesmo que além do endócrino, o nutricionista também faça parte do acompanhamento de quem convive com o diabetes.

De modo geral, há dicas de alimentação e cuidados nutricionais que podemos seguir, mas sem qualquer dúvida afirmo que o auto-cuidado interfere de maneira totalmente positiva no controle glicêmico!

Que sigamos com foco numa alimentação saudável e procurando sempre aprender. Assim, até aquele lanchinho mais pesado e fora de contexto vai poder ser encaixado sem culpa de vez em quando! Esse é um dos grandes passos pra manter a saúde tinindo.

13 março, 2016

"Todo dia é o mesmo dia..."

Sei que cada um reage de maneira diferente a alimentos distintos, que cada organismo é de um jeito e que quando falamos de diabetes, não existe qualquer possibilidade de acreditar em tratamento padronizado. Tudo é individualizado e é assim que tem que ser.

Temos alguns parâmetros a seguir e a cada exame esperamos pelos melhores indicadores. Mas é isso, são indicadores. De que estamos nos empenhando e buscando sempre a melhor qualidade de vida, de que a saúde é coisa séria e, principalmente, que não podemos deixar a doçura de lado nem por um segundo sequer.

Mas um desses indicadores ainda me deixa de cabelo em pé: a glicada.
O ideal estabelecido para qualquer pessoa é de 6%. Para nós, docinhos, 7% é aceitável e o recomendado é que fique por aí.

Para mim, qualquer número acima de 7% ainda incomoda um tanto.
Minha Super Endócrino já disse que isso é uma preocupação só minha, já que todos os meus exames estão ok e que 7,5% não é, nem de longe, o fim do mundo.

Mesmo assim sigo na meta buscando um número melhor, sim! E abaixo de sete.
Como??
Com mais disciplina, atenção e entendimento. Medir a glicemia pós-prandial ajuda a perceber a influência dos alimentos nas nossas glicemias diárias, por exemplo.

Tenho feito isso e acompanhar os valores medidos acaba sendo um estímulo. Quando estão bons, vem a vontade de seguir na disciplina, nos exercícios, na alimentação equilibrada e atenta aos meus horários. E quando não estão tão bons assim, quando vão bem além do que eu gostaria... a vontade é ainda maior de fazer isso tudo!
Quero ter a saúde sempre tinindo para não precisar deixar nada de lado.

A página Diabetes Daily publicou um artigo com depoimentos de diabéticos que mantém a glicada abaixo de 7%.
(Para baixar o arquivo na íntegra, é só clicar aqui)
São 10 hábitos de dia a dia que podem mesmo fazer a diferença:


1) Fazer a contagem de carboidratos
Isso parece mais difícil do que de fato é. Os rótulos nas embalagens ajudam e o manual de contagem disponibilizado gratuitamente pela Sociedade Brasileira de Diabetes é uma ótima ferramenta.

2) Entender que outros fatores, além de carboidratos, interferem de alguma maneira - positiva ou negativa - no controle da glicemia:
  • Stress
  • Atividades físicas
  • Uma boa noite de sono 
  • Variações hormonais 
  • Perda ou ganho de peso.

3) Fazer medições frequentes da glicemia.

4) Analisar / avaliar os resultados das glicemias medidas e entender o que significam.
Com esses resultados, será possível fazer qualquer ajuste necessário, seja ele na alimentação, nos horários e na frequência de aplicação da insulina...

5) Fazer refeições 'reais', evitando comidas processadas.

6) Manter uma rotina de exercícios.

7) Acreditar que você pode!
Essa é especial... Diabetes não é uma ciência exata e tem dias que é um saco, que parece que nada que a gente faz está certo. Mas cabeça erguida e vamos em frente sempre.

8) Seguir aprendendo.
Sim, isso faz parte do nosso tratamento, do autocuidado. Saber o que é o diabetes, o que uma falta de controle pode causar e como podemos nos cuidar é importante da mesma forma que tomar insulina.

9) Fazer uso da tecnologia disponível.
Antigamente, não existiam os glicosímetros! Hoje temos este recurso a favor, além da bomba, dos aplicativos específicos...

10) Jamais buscar a perfeição.
A perfeição não existe e isso nada tem a ver com diabetes. Convivendo ou não com a doçura, ninguém é perfeito e nem tem que ser.
Se cuide, estude, entenda, seja você mesmo e isso já um grande caminho andado.

Não é fácil...
...mas não é impossível!

Ainda não chegou a hora de refazer os exames (mais uns 2 meses), mas estou otimista.
Os últimos resultados foram 7,1%, 7,2% e 7,5% - março, julho e dezembro de 2015.
Estou ansiosa pelo próximo e espero que essa escadinha aí volte a apontar para baixo!!


04 março, 2016

Da doçura do dia a dia com o sal do mar...

De uma viagem que começou com um voo perdido em função de uma hipoglicemia e seguiu um tanto torta nos primeiros dias - telefone furtado numa fração de segundos em Recife! - os dias que se seguiram foram de tranquilidade... opa, não fosse por um pequeno doce detalhe: as glicemias, principalmente de jejum, estavam completamente fora de contexto.

Em Recife já andavam variando entre 115 e 130 mg/dL na primeira medida do dia, mas até aí eu desconfiava que tinha errado nas correções dos jantares anteriores. Viagem que segue, a segunda parada era Japaratinga.

Japaratinga é um paraíso cercado de mar, que fica em Alagoas. Sol, areia brilhando com as ondas que vão batendo. De lá, outras praias incríveis: Antunes, Carneiros, Riacho, São Miguel dos Milagres, Toque, Lages, Morro.

Lugares para curtir e explorar. Para caminhar para todos os lados. Caminhar, caminhar, caminhar!

Bonito assim:



Voltando à doçura, só parei realmente para prestar atenção de que alguma coisa estava estranha quando vi os números do primeiro dia em Japaratinga.
Pois bem... jejum = 179 mg/dL. Não engoli, fiquei encucada, mas o número estava lá e não havia nada a fazer se não corrigir. Tomei a insulina basal, a rápida e um bom café da manhã. 3 horas andando, extasiada com a paisagem que ia mudando a cada passo, e quando paramos para almoçar, docinho bem azedo: 254 mg/dL!! Choque. As mãos estavam lavadas, a lanceta era nova. Finalmente o alerta foi acionado... só podia ser a insulina.

Lembrei que tinha levado a caneta da Levemir num dia de carnaval, sem o case que mantém a temperatura. Essa mesma caneta era a que estava comigo na viagem e entendi que ela não estava mais em condições de uso.

Como tinha outra lá, ainda lacrada, decidi trocar e fazer o teste. Bingo!
Glicemia de jejum = 92 mg/dL. Que alívio!

Uma falha operacional que teve um efeito bem ruim. Atenção nunca é demais e os cuidados com a conservação da insulina tem que ser constantes.

De volta à normalidade, entre peixes, lagostas, e muita macaxeira, além desses sustos, a média da viagem ficou em 135,9 mg/dL. Gostei, viu! Erros e acertos nas correções (algumas coisas que não são habituais acabaram sendo calculadas sem tanta precisão), mas achei bem razoável considerando que a comida regional é mais carregada.
Uma hipo registrada antes de um jantar (de leve, 64 mg/dL) e nada mais.

Um planejamento prévio garantiu os lanchinhos que foram consumidos durante as horas de andança e teve até 'glucagon' natural que a irmã levou para mim na bagagem: oreos e coca-cola!

Meus sachês de mel e meus oreos voltaram intactos para casa e eu, confesso, fico feliz por não precisado usar e nem ter tido qualquer emergência.

Apesar dos tropeços com a insulina, foram dias de sossego, calmaria, bate papo e diversão.


E eu voltei cheia de planos, de projetos, de vontade e de querer começar já!!
Chegou março. O ano está cheio, a cabeça e o coração também.
Que os projetos saiam do papel, que tudo corra bem e que o que não está tão bem assim, se ajuste.

Pé direito em riste, para garantir passos bem grandes e firmes, hora de continuar por este 2016.