Lipohipertrofia: muito além da estética!

Já ouviu falar em lipohipertrofia (LH) ou lipodistrofia? Nomes esquisitos, não é? Mas para quem convive com a doçura, são mais comuns do que se imagina. 

A lipohipertrofia é um acúmulo de gordura nos locais de aplicação da insulina. Isso acontece quando não é feito o devido revezamento dos locais. Eu costumo aplicar nas coxas, nos braços e - muito mais! - na barriga. E adivinhem o que aconteceu? Lá estão os meus 'gominhos' na pança, pela falta de revezamento adequado.

- Mas se você sabe que precisa alternar os locais de aplicação, por que não fez?

Porque no dia a dia, na correria, numa hiper, naquela corrigida rápida antes de começar a sessão do cinema... a praticidade acaba falando mais alto, aplico na barriga mesmo e sempre penso que "é só dessa vez, na próxima eu aplico no braço".

No verão e em dias mais quentes, aplico na perna sem qualquer problema. O uso de vestidos, shorts ou saias ajuda bastante. A mesma coisa para os braços, afinal as camisetas sem manga imperam. Agora, nesse período de temperaturas mais baixas e casacos sendo companheiros inseparáveis, nada de passar frio: a barriga é sempre a escolhida. E, por mais que eu ache que não vai ter problema, que nunca vai acontecer, acontece. Aconteceu comigo!
De leve, nada gritante, mas está aqui e sim, me incomoda. Ah, incomoda a minha endócrino também e levei um baita puxão de orelha na última consulta. 

O fato é que isso não é só uma questão estética. Segundo o Dr. Augusto Pimazoni Netto, a LH pode interferir no controle da glicemia:
"O aspecto mais importante dessa alteração é que ela pode interferir na eficácia da terapia insulínica, uma vez que quando a insulina é aplicada nessa massa de tecido gorduroso, pode apresentar um retardo significativo na absorção de insulina, levando o paciente a picos de hiperglicemia. Mais tarde, esse retardo pode levar a uma redução perigosamente baixa dos níveis sanguíneos de glicose, uma vez que a absorção de insulina e a consequente liberação para a corrente sanguínea fica prejudicada num primeiro momento após a injeção e, depois, toda a insulina é liberada mais rapidamente, levando à situação oposta, de hipoglicemia".
(A entrevista dele sobre o assunto está publicada na página da SBD e pode ser acessada, na íntegra, por este link: LH_Dr. Pimazoni)

Portanto, assunto sério e puxão de orelha bem dado.
Com esta chamada de realidade, estou prestando mais atenção nas aplicações e tentando manter mais intervalos para a pancinha, além de manter mais rotatividade nos outros locais. 

Vale dizer que a LH não é permanente. Com o rodízio, o local afetado tende a voltar ao normal.

Para não errar na hora de aplicar, fica a dica:
(Imagem e detalhes sobre o rodízio: DiabetesMed)

Não basta aprender nem saber, a gente precisa colocar em prática o que é melhor para o nosso tratamento.
Ação e reação, é simples assim!







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