Insulina pelo avesso: um dia na fábrica da Novo Nordisk!

Há quase três meses, voltei a trabalhar na minha área de formação.
Com isso, toda a rotina mudou e minhas horas, de segunda a sexta, agora tem local e tarefas pré-estabelecidas. Faz parte da nova fase e está indo tudo bem! Mas a escrita anda mais devagar e a disponibilidade para estar em alguns eventos também não é a mesma.

Tudo isso para dizer que quando eu recebi o convite da Flavinha e da Monik para conhecer a fábrica da Novo Nordisk em Montes Claros - a única fábrica de insulinas no Brasil e a maior da Novo fora da Dinamarca, que é o país sede - eu tive uma mistura de sensações: por um lado, uma alegria enorme, transbordando; por outro, quando foi confirmada a data, uma ansiedade do mesmo tamanho: será que o chefe ia me liberar? Seriam dois dias fora...

O chefe entendeu o motivo da viagem (já conhecia meu trabalho e atuação pela causa) e a liberação veio! Lá fui eu, com toda a minha curiosidade e expectativa, junto com um grupo de mais um monte de gente que convive com a doçura do diabetes. Pela primeira vez a Novo Nordisk ia receber ‘influenciadores’ (nós, que dividimos essa vida doce por aí) e representantes de associações de pacientes.


Quando ouvi que tinha que tomar insulina, há 10 anos e meio, o susto foi enorme. Não entendia nada desse tal diabetes e achava que o fato de ter que me aplicar injeções diárias significava que eu estava em estado grave (já contei isso aqui). 
Hoje, com o conhecimento adquirido nesse período e um entendimento sobre o que é a condição e o porquê de cada parte do meu tratamento, minhas insulinas são as maiores parceiras. Acho que por isso eu tinha uma expectativa tão grande em conhecer unidade MOC (esse é o ‘apelido’ da fábrica de Montes Claros).

Chegamos, fizemos um cadastro e entramos... 


Orientações iniciais sobre cada área que íamos visitar - algumas com entrada restrita a pouquíssimos profissionais, inclusive, para evitar contaminação. O cuidado com a assepsia de cada um dos ambientes é a prioridade. 

Quando a antiga fábrica da Biobras (eles produziam insulina animal) foi comprada, a Novo fez uma grande reforma nas instalações. O objetivo era deixar a unidade blindada para evitar a entrada de qualquer resíduo do ambiente externo. 

Macacão, proteção para os sapatos, glicosímetro e insulina ao alcance das mãos e era chegada a hora da aventura!!


A chance de estar dentro de uma fábrica e conhecer de perto todo o processo de produção, do começo ao fim, fez com que eu me sentisse de novo como no primeiro dia de aula na faculdade. 
Queria ver e ouvir tudo! 



E assim foi: armazenamento dos insumos, controle de limpeza dos espaços e dos materiais, a manipulação da insulina nos frascos... O responsável por essa área, aliás, tem as roupas esterilizadas a cada 3 horas!! 
Fiquei muito impressionada com todos os processos e procedimentos. 

Em um dia inteiro na fábrica, entendi que tudo é feito pensando na segurança e na eficácia do medicamento que será entregue ao usuário.
Os tempos entre uma etapa e outra da produção são controlados, a temperatura é controlada, os acessos são controlados. O que eles consideram é simples: é preciso ter o máximo de cuidado lá dentro para que a gente, aqui fora, tenha tranquilidade em usar a insulina por aí. 

A insulina vai na bolsa, na mochila, para a praia, para o trabalho, para as festas, para o carnaval. Pensando nessa movimentação de cada um que depende daquelas gotinhas na ponta da agulha para sobreviver, eles trabalham com padrões de qualidade muito elevados. O mínimo desvio na tampinha do frasco ou na marcação do êmbolo da caneta leva a um descarte. 

As doze partes que formam a caneta de insulina são testadas. 
A água e os insumos base para a produção de insulina são analisados. 
A embalagem e os rótulos são verificados.

Poder pegar uma caneta de insulina Levemir nas minhas mãos, direto do final da linha de produção foi emocionante. Usei por tanto tempo no meu tratamento... 

E do que é produzido em MOC - 15% de toda a insulina utilizada neste planeta!! / 30% de toda a insulina fabricada pela Novo Nordisk - parte vai para outros países e parte fica por aqui, inclusive para atender as demandas do SUS.

Conhecer os processos, as etapas e as pessoas que estão lá se dedicando 24 horas por dia, sete dias por semana, me fez enxergar que tem um propósito por trás de cada caixinha de insulina. Saber que sou ‘atendida’ por quem tem como valores a qualidade, a segurança e o respeito na missão de cuidar e salvar vidas trouxe ainda mais conforto e tranquilidade para o meu dia a dia convivendo com a condição. 

Saí de lá com um sentimento de gratidão tão grande! A percepção de que eles são mais do que medicamentos e insulinas. É confirmar que posso trabalhar, viajar, estar com quem eu amo, porque tem alguém lá na fábrica preocupado em garantir que eu tenha aquela caneta cheinha de vida.

Ficam os registros da admiração e do reencontro com essas pessoas que o diabetes foi colocando no meu caminho. Da cumplicidade e até do meu IP dando pinta com a Bruna lá na campanha da empresa...






Para finalizar, o encanto por mais dois projetos que a Novo Nordisk desenvolve:

O Novo Eco, que preza pelo meio ambiente, fazendo o replantio e a doação de mudas de espécies locais...



...e o Novo Artes, que traz a comunidade para ser parte criativa e parceira no fomento à inserção social, através da produção de artesanato usando materiais descartados na fábrica.


Ainda ganhamos de mimo um baú porta-trecos personalizado:


Ouvi recentemente a Professora Doutora Terezinha Rios dizer em uma palestra que "ainda não é a expressão da esperança". Para mim, essa fala definiu um pouco do que é viver com diabetes. 
Existe cura para esta condição crônica de saúde? Ainda não... Mas existe uma esperança enorme!

À Novo Nordisk, mais uma vez, eu agradeço pela oportunidade de conhecer e participar um pouco dessa história de cuidado e por me darem a chance de ir em frente a cada dia, canetas de insulina em punho, enquanto sigo pela esperança do 'ainda não'. 

Foi uma experiência para não esquecer!

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