Pra manter o movimento...

Há quatro anos e cinco meses eu me despedia do projeto de implantação da usina hidrelétrica de Jirau. Trabalhar na área de de energia aconteceu, não foi uma escolha direta. Primeiro no estágio, depois como trainee, assim que eu me formei. Segui por esse caminho dali em diante. Foram quatro usinas, quatro projetos que, apesar de semelhantes no seu produto final, foram absurdamente diferentes. Contratos, obras, amigos e muita dedicação.

A decisão por sair veio depois de muito pensar. Percebi que já não estava mais tão envolvida... A vida tinha aberto outras portas e eu estava cada vez mais curiosa e empenhada em descobrir o que aquilo tudo me reservava.

O diabetes, que de início era ‘somente’ um diagnóstico, já tinha se transformado em propósito, estudo, interesse maior. O blog estava voando e alcançando novos ares e a vida pessoal também pedia mais espaço para acontecer.

Nesse tempo, cresci, comecei uma outra pós graduação - na área da saúde! - e me coloquei a postos para o que podia chegar. Nasceu a nossa Revista EmDiabetes e o mundo se abriu também para ouvir o que a gente tinha a dizer.

No período de desligamento da minha área técnica de base eu viajei, passeei, li, dancei, vivi de uma maneira diferente e trabalhei... trabalhei um tanto!


Aprendi a ser mais dona do meu tempo. Organizei a agenda e a casa para essa nova forma de trabalhar. Escrevi sobre a convivência com a doçura, contei histórias que tem o diabetes como protagonista em casos de aventura, sucesso e até tecnologia. Escrevi sobre viagens e sobre viajar, um prazer que não tem fim!

Agora é hora de (re)começar.
Novamente a decisão foi bem pensada.
Precisava ter uma fonte de renda mais certa e me voltei para buscar o que o mercado estava oferecendo. Volto para a gestão e os contratos de energia, dessa vez das renováveis.
Um misto de curiosidade e ansiedade tomando conta!

Neste processo todo de recolocação, a dúvida que paira no ar entre as pessoas quem tem o diabetes como companheiro é: Você contou sobre o diabetes na entrevista?
Sim. Jamais esconderia a minha condição...
Já fui para a entrevista preparada para isso. Eu sabia que o fato de estar me dedicando à área da saúde chamaria a atenção. Por outro lado, eu tinha me informado e lido bastante sobre a empresa e, assim, entendi quais são os valores e os princípios que guiam as atividade por lá. Fiquei ainda mais confortável para falar e toda a história - do diagnóstico ao blog, dos trabalhos de conscientização à Revista - foi muito bem recebida.


Quando fui diagnosticada já fazia parte da empresa por longo anos e nunca foi um problema. Ao contrário, recebi um baita apoio de todos. Media minha glicemia durante uma reunião ou ao longo de uma visita à obra sem vergonha alguma e jamais recebi olhares de desaprovação. 
Agora, durante a minha contratação, é claro que fiquei com receio da reação da empresa: a verdade é que o estigma e a visão errônea sobre o diabetes ainda existem, gerando preconceito e um pensamento ultrapassado de que diabéticos são menos capacitados. Comigo não aconteceu... não houve qualquer julgamento em relação ao meu diabetes!!

Vou em frente com a mesma empolgação que o novo, seja ele qual for, sempre me traz.

Pode até ser que eu não consiga manter a mesma freqüência de postagens e escritos enquanto ajusto a nova rotina. Mas sem qualquer dúvida continuo com o trabalho no meu IP e na Revista, parte importante e fundamental dos meus dias e até do meu cuidado com a doçura.

Me perguntaram se cada etapa dessas significava o encerramento de ciclos...
Não, são apensas outros ciclos. O que começou e se desenvolveu em cada um continua aqui, acontecendo e me mantendo em movimento.


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