Férias em 'modo peixinha'...

Sair da rotina, por si só, já pode tumultuar o controle da glicemia.
Mas, geralmente, em uma viagem de férias acabo reduzindo a minha dose de insulina basal e a doçura se comporta super bem. Por conta disso, acabei sendo muito mais conservadora durante as viagens que fiz nas férias desse ano e, mesmo antes de qualquer sinal de glicemia baixando, tomei por base as 'experiências' anteriores e decidi usar menos insulina de ação rápida para corrigir os carboidratos das refeições.

- Por que?
Praia, sol, calor, rio, mar!

Foram onze dias no Ceará bem no mês de Iemanjá!
A terra do sol foi o primeiro destino. Chegamos em Fortaleza em um dia quente e a programação de passeios já estava prontinha. Nenhum dia de intervalo entre as praias e o Beach Park.

Eu já estava preparada para aquela maratona de diversão, mergulhos e boa gastronomia.
Ficamos pouco em Fortaleza... lá era a nossa base, mas a cada dia nos deslocamos à uma cidade diferente para chegar no parque ou em cada uma das praias lindas daquele litoral. Ah, a água salgada que faz tão bem...

Tínhamos entre uma e duas horas de deslocamento. Por conta disso, eu acabava dando uma caprichada no café da manhã para garantir que nesse tempinho - na maioria das vezes, sem acesso a lanchonetes ou a um café no caminho - eu estaria segura. Sempre tinha mel na bolsa para o caso de uma queda de glicemia, mas o que aconteceu é que a doçura acabou subindo!

Tentando ser cuidadosa ao extremo, acabei tendo um efeito oposto.
Até que chegasse na praia ou no parque e começasse de fato a gastar energia, teria dado tempo para fazer a devida correção cedinho e, então, comer algo depois.

Passeios de buggy, uma nadadinha na lagoa, as ondas do mar ajudando a queimar calorias.
Todas essas atividades podiam ser mais ou menos previstas e planejadas e meu controle teria ficado menos atrapalhado.
De qualquer forma, nada atrapalhou o encanto em conhecer aquele mundo de natureza que chega a fazer com a gente se sinta de uma pequeneza só.

Dunas, falésias, as ondas do mar colorindo a imensidão branca de areia. Lagoinha, Águas Belas, Cumbuco. Morro Branco e Mundaú... Uau!




Já nos dias de parque aquático, a aposta foi em não tomar insulina para compensar os carboidratos do almoço e essa acabou sendo a decisão mais acertada. Com o vai e vem de um brinquedo para o outro, a adrenalina que acabava subindo nos mais radicais, a escadaria para chegar até aquela aventura que começava lá no alto e a brincadeira por horas seguidas garantiram uma glicemia em ordem ao longo de todo o dia.


No meio de toda a aventura e das ondas do Ceará, as delícias no prato!! Peixe, peixe, peixe, camarão, peixe... Adoro a comida do Nordeste e aproveitei. Aí foi outra confusão para os ajustes da minha doçura! Não são pratos que eu estou tão acostumada no dia a dia e, por segurança, estimei a quantidade de insulina para baixo - de novo, o medo da hipoglicemia.

Arroz, pirão, aipim frito, aipim cozido, banana da terra, batata... muitas opções ao alcance. Sem contar com as cocadas irresistíveis. Lá se foi a estabilidade glicêmica! Por isso manter a atenção no que o glicosímetro está apontando é fundamental. Medir a doçura mais vezes que o habitual enquanto estivermos em viagem também ajuda bastante a avaliar se estamos no caminho certo.

De volta do Nordeste, um dia de aula da pós-graduação aqui no Rio e malas prontas de novo. Agora rumo ao Centro-Oeste, o destino era Bonito, no Mato Grosso do Sul.

Dessa vez, só nós dois. Voos e mais um trechinho pela estrada e chegamos à cidade que abriga as águas claras e transparentes que são de admirar!

Tínhamos só 3 dias inteiros na região e escolher onde ir não foi uma tarefa exatamente fácil... Então optamos por misturar contemplação, mergulho no rio e a energia das cachoeiras.

Para começar, a Nascente Azul. Inacreditável!!! Parece impossível que logo abaixo da lâmina d'água aquele azul tome conta de tudo a olho nu.


Depois, a flutuação no rio Sucuri leva a gente para um outro mundo. Uma vegetação extensa e tão diversa. A água que lentamente vai guiando nosso olhar para a fauna e a flora daquela cidade submersa. Para fechar, o último dia foi com uma trilha pelas cachoeiras da Serra da Bodoquena. Água gelada para lavar a alma!




A cidade é pequena, super agradável e também tem uma culinária de dar água na boca.
Peixe de rio e uma iguaria típica: a carne de jacaré!! Para acompanhar, suco de guavira, uma frutinha típica de lá, e para sobremesa, o 'sorvete assado', servido com salada de frutas e um marshmallow douradinho coberto de castanhas.


Haja insulina...

Com tanta variação de glicemia na primeira parte das férias, fui para Bonito com outro olhar. Nada de tentar prever como a glicemia ia se comportar. Fui ainda mais cuidadosa e monitorei a doçura com mais afinco.
Deu certo!

Sobre isso, aliás, uma observação: já ter o aplicativo do Libre (o LibreLink) instalado no celular fez muita diferença para a monitorização. Rafa também instalou no telefone dele e a qualquer momento eu conseguia medir meu doce durante as ferias no modo peixinha!

Tanto em uma viagem quanto na outra, o transporte da insulina foi feito sem problemas. Quando vou para lugares mais longe de casa, levo insulinas extras além das que já estão em uso.
Então, preparo minha bolsa térmica, coloco tudo direitinho dentro dela com os sachês de gelo em gel e sigo meu caminho. No quarto do hotel, deixo as insulinas no frigobar.

- Ah, mas em lugar de praia - ou de rio e cachoeira - você acaba passando o dia todo fora. Como faz?
Nesses casos, levo as insulinas que vou precisar também na bolsinha térmica. Mesmo não precisando, por já estarem abertas, sei que na praia ou em uma trilha o sol pode fazer companhia e a exposição prolongada a temperaturas mais altas pode danificar as minhas insulinas.

Viajar me traz uma alegria enorme. A oportunidade de conhecer mais do que o Brasil e esse mundão oferecem me faz sentir maior. Nessa vastidão de saberes, sabores, hábitos, culturas e histórias - inclusive de gente doce - por aí, ser uma parte ainda que bem pequenininha disso tudo representa muito.


Ficam, como sempre, o aprendizado, a certeza de que essa vida de mãos dadas com o diabetes não me limita em nada e a memória de dias super gostosos em família.
Obrigada, namorado, por estar junto, por seu meu glicosímetro e por proporcionar essas férias incríveis.

Que venham as próximas viagens e as novas conquistas!







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