Diabetes é assim...

Já tive medo de ser a chata que só fala nisso.
Já tive muita vergonha de promover a causa.
Já deixei de me identificar como pessoa com diabetes para um 'igual' por receio de ser invasiva. 

Quando entendi a importância de me mostrar como diabética para fortalecer os que ainda não acreditam que o diagnóstico não é uma sentença, decidi mudar. 

Os registros que eram só do azul de uma camiseta ou da pontinha do cabelo caindo sobre um vestido da cor do mês de novembro, cheios de discrição, passaram a mostrar o rosto, o tamborim, a agulha de insulina furando a pancinha e até passando pelo tule da fantasia de carnaval.   

O sobe e desce dos gráficos da doçura nunca foram segredo e a tentativa e erro continuam fazendo parte dos meus dias, mesmo com mais aprendizado, mesmo com mais informação, mesmo com o uso do sensor. Faz parte! Mesmo!!

O 'emocional' não é um tipo de diabetes, embora essa confusão aconteça eventualmente. Mas o emocional interfere sim. E tudo bem. Todo mundo tem um dia chato, um dia de não querer ir para a academia ou o pilates, um dia de chuva que faz uma panela de brigadeiro ter mais sentido que um belo prato de salada. 
Só não pode fazer desses dias estranhos - e super aceitáveis! - a rotina. 
A rotina precisa ser de cuidado, controle e equilíbrio. A rotina precisa ser de disciplina. 

E para quem acha que aí é que o diagnóstico se torna a sentença de caos, eu me permito discordar. 
A disciplina, o cuidado e o controle nos dão mais liberdade para fazer o que quiser, para irmos em qualquer lugar que desejarmos e para conquistar qualquer coisa. 

O diabetes não deve ser barreira. 
Barreira, a meu ver, é a falta de acesso ao tratamento adequado, aos insumos e à educação em diabetes. 

- Ah, de novo esse papo de 'falta disso, falta daquilo'.
Sim! De novo. E quanto mais vezes for preciso. 

Se com tudo isso às vezes parece impossível domar esse tal, sem o mínimo necessário  é que a vida está em risco. 

- Então é por isso que o Dia Mundial do Diabetes é importante?
Também. 
É para conscientizar, para alertar, para lutar. 
É para desmitificar, é para incluir, é para fortalecer. 
É para lembrar que saúde é direito de todos. Todos.

Eu não sabia nada da condição. Nadinha! 
Nem que eu podia, quem diria, ter diabetes. 

Mas ele chegou e eu decidi que não ia me render. 
E sabe por que? 
Porque eu não queria abrir mão de tudo que eu gosto de fazer. 
Foi principalmente por isso que eu decidi aprender e entender. Estudar, perguntar, questionar. 
Até hoje. 
Todo dia. 


Diabetes é assim: esperança, dúvida, união, cumplicidade, amor, amizade, educação.
Diabetes é condição que assusta, que transforma. 

Eu me transformei. 
Carreira, dedicação...
Saúde através da comunicação. 

O dia 14 chegou. 
Mais um. 
Por aqui, eu agradeço pela oportunidade de poder me cuidar, de aprender e dividir. 
Agradeço por ser voz, rosto, letra e - há quem diga - inspiração. 
Pois inspiração a gente repassa. Eu me inspiro em muitos...
Somos muitos! E se formos uns pelos outros, seremos sempre mais. 

Que todos os dias sejam nossos. 
Que todos os dias sejam quatorzes de novembros bem azuis. 





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