Vigilância para o controle...

Recentemente recebi uma ligação do Ministério da Saúde (MS), da qual eu cheguei a duvidar.
Quando o atendente se identificou e disse que estava coletando dados para o Ministério, eu desconfiei. Hoje em dia qualquer informação mais específica sobre os nossos hábitos, rotina e moradia pode ser utilizada para o 'mal'... Foi só quando ele entrou em detalhes e explicou que se tratava de apurações para o VIGITEL que eu aceitei participar.

O Vigitel - Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico - é parte do trabalho que o MS faz a fim de monitorar o avanço e o controle das doenças crônicas não transmissíveis (DCNT, que incluem hipertensão arterial, câncer, diabetes, doenças respiratórias e cardiovasculares).

Funciona assim: a cada ano o MS faz contato telefônica com cidadãos de todo o país. Neste momento, são colhidos os seguintes dados:
- Peso
- Altura
- Prática de atividades físicas
- Consumo de legumes, raízes, verduras, sucos artificiais, refrigerantes, bebidas alcóolicas, biscoitos, doces, etc. (quantidade e frequência)
- Se foi diagnosticado alguma doença crônica
- Se é fumante
- Se tem o costume de assistir TV...

Outras perguntas se referem à idade do entrevistado e se este faz seus exames de rotina.


O objetivo final, segundo a CONEP - Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (órgão do CNS - Conselho Nacional de Saúde), é "monitorar a frequência e a distribuição de fatores de risco e proteção para doenças crônicas não transmissíveis em todas as capitais dos 26 estados brasileiros e no Distrito Federal".




Os contatos são feitos a partir de números telefônicos selecionados por sorteio e os resultados deste trabalho são divulgados pelo Ministério da Saúde.

Em 10 anos, o que se comprova é que a situação piorou:
E o que o vem sendo feito para mudar este cenário, principalmente no que se refere ao diabetes??

Na minha opinião, bem pouco!
De acordo com dados de 2014 - portanto, já defasados! - a atenção aos diabéticos aumentou:
Mas de que adiantam os programas da farmácia popular ou mesmo as consultas e orientação com equipe multidisciplinar se os pacientes não tem insumos nem insulina nem agulhas nem, sequer, uma previsão de quando terão?

Índices estatísticos não são de grande serventia para quem convive com doenças crônicas, a não ser que sejam a centelha para ações reais que visam garantira a saúde, o bem estar e a vida dessas pessoas.

O último relatório publicado traz dados que só confirmam que o diabetes segue se espalhando como uma epidemia:
Se por um lado acho importante o trabalho e o propósito do Vigitel, por outro acho ineficaz se não gera melhorias e impactos verdadeiros e positivos em quem foi diagnosticado com alguma DCNT.

Que haja mudanças neste sentido e que todo este trabalho gere mudanças efetivas na saúde pública!







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