Aqui no IP estão expostos os meus medos, as minhas descobertas, as conquistas, os avanços nas buscas pela cura do diabetes pelo mundo, os passinhos para um melhor controle da glicemia.

O que começou como um espaço de aprendizado e de dividir a minha convivência com o DM1, se transformou em estímulo para um melhor controle da minha doçura e para seguir mostrando que se funciona para mim, pode funcionar também para tantas outras pessoas que tem o diabetes como companheiro.

30 janeiro, 2018

Rótulo: o direito do consumidor.

Um dos hábitos que eu mudei depois do meu diagnóstico foi ler os rótulos de cada produto que eu compro. A validade eu sempre conferi, mas a atenção às informações nutricionais era deixada de lado.

Com o diabetes, as aplicações de insulina e a contagem de carboidratos, a informação nutricional dos rótulos passou a ser a primeira coisa que eu procuro em uma embalagem. Só que nem sempre é simples entender o que está apresentado ali...

Um ponto que ajuda é quando as informações vem indicando a quantas unidades do produto corresponde a quantidade de carboidratos, fibras, sódio e afins apontada.
Quando isso não acontece, pode ocorrer um engano na interpretação e isso significa um caos para a glicemia!

Por este fator e considerando que atualmente a alimentação dos brasileiros tem uma carga grande de alimentos industrializados, a ANVISA vem estudando há mais de três anos uma mudança na rotulagem de embalagens, com dois objetivos: deixar as informações mais claras para o consumidor, facilitando a compreensão, e estimular a fabricação de produtos mais saudáveis.
Em uma matéria veiculada no Bom Dia Brasil hoje, as duas propostas que estão em análise foram apresentadas.

Na campanha coordenada pelo IDEC (Instituto de Defesa do Consumidor), a proposta é criar selos de advertência na frente das embalagens, indicando quando um produto tem excesso de açúcar, sódio ou gordura.
Acho essa alteração bem importante. Quando fui ao Chile, foi uma das coisas que me chamou a atenção. Todos os produtos expostos nas prateleiras dos mercados tem um selo semelhante e fica bem mais fácil saber quando a carga de açúcar é alta. Até comentei sobre isso aqui no IP depois da viagem...

Esta questão do indicativo do açúcar é outro ajusto que o IDEC pretende implantar. Além do total de carboidratos, a quantidade específica de açúcar estaria indicada:
Já é possível encontrar este destaque em alguns produtos, mas a ideia é que seja uma regra geral.

Eles propõem também que sejam proibidas propagandas infantis nas embalagens e que seja usada uma letra padrão nas tabelas nutricionais, para facilitar a leitura.

Por outro lado, a Associação da Indústria Alimentícia traz uma proposta com um novo tipo de rotulagem, criando um "Semáforo Nutricional Quantitativo":
O vermelho seria um indicativo de maior quantidade e o verde de menor quantidade de sódio ou açúcar, por exemplo.
Segundo a Associação, a ideia é "emponderar o consumidor nas suas decisões".

A mudança é necessária!
As letras miúdas e as informações não padronizadas só dificultam o entendimento das pessoas.
E eu ainda acho que eles deveriam ir além: por quê não incluir a informação sobre o índice glicêmico dos alimentos nas embalagens??
(para saber mais sobre o que é o índice glicêmico, é só clicar aqui)

Tanto quanto a quantidade de carboidratos, esse fator interfere nas nossas glicemias. Já questionei isso à ANVISA em 2013 e na época eles responderam, justificando a negativa. Logo depois, em uma viagem para a Austrália, dei de cara com embalagens de produtos e até restaurantes mostrando este tipo de informação.

Não há prazo para conclusão das análises das propostas apresentadas e nem para efetivar a mudança nos rótulos. A ANVISA destaca somente que trabalha "busca um modelo que ajude o consumidor a não ser enganado".
Pois que seja breve!



26 janeiro, 2018

Ih... esqueci!!!!

Início do ano é sempre movimentado por aqui. Além da energia normal de (re)começo que chega com o novo ano, de organizar e planejar as atividades e o trabalho, tem o carnaval!! Sim, não é novidade que eu curto e me jogo na folia. E aí tem os ensaios dos meus blocos, ensaios dos blocos dos amigos, tem as fantasias, os figurinos... purpurina guiando os dias!

Não deixo de prestar atenção na glicemia e na minha condição de gente doce. Mas ninguém é de ferro e no meio da correria eu acabei esquecendo meu kit de sobrevivência em casa ontem. Saí com tamborim e baqueta: se ia ensaiar, não podia esquecer o instrumento em casa...

Lá pelo meio do ensaio, decidi dar uma paradinha para checar a glicemia. Só aí é que eu percebi que estava tudo em casa. Não tinha glicosímetro, não tinha mel para corrigir uma hipo, não tinha insulina, não tinha agulhas! Cinco segundos sem respirar e quando passou aquele impacto momentâneo, acabei relaxando.

Eu estava me sentindo bem e tinha conferido a doçura antes de sair de casa (e mesmo assim esqueci de guardar o estojo com o glicosímetro na bolsa!!).
Tinha lanchado também, então estava garantida uma carguinha de carboidratos que segurasse as duas horas de batucada. Além disso, os amigos do bloco sabem da minha condição e sabem como ajudar, caso eu precise.
Com tudo isso, fiquei tranquila.

Teve cervejinha durante o ensaio, teve pastel depois do ensaio e, como estava com fome, comi mesmo sem poder fazer a correção com a insulina.

Quando voltei para casa, a primeira providência foi furar meu dedinho e ver como estavam as coisas: 233mg/dL. Decidi não corrigir. Sabia que ainda tinha resquícios de cerveja no organismo, o corpo ainda estava sentindo a agitação do batuque e eu preferi deixar assim.
Tomei minha dose de glucerna (conforme definido e estabelecido pela minha endócrino, faço uma suplementação antes do carnaval, porque acabo perdendo peso nessa época) e dormi.

Hoje de manhã, a doçura já estava assim:
Claro que não é o ideal sair sem o glico e os insumos e menos ainda comer às cegas, sem medir e nem corrigir, mas eu sabia que não estava em risco, que logo voltaria para casa e jamais seria irresponsável a ponto de ficar lá me sentindo mal, sem poder verificar a quantas andava a minha glicemia.

Tenho a consciência de que conhecer e me educar sobre o diabetes é o que me dá segurança para saber o que fazer quando esses esquecimentos acontecem.

Agora, foco e atenção redobrados, meu kit coladinho comigo e vamos em frente na folia!!





18 janeiro, 2018

Febre Amarela - Orientações SBD.






Foi publicado pela Sociedade Brasileira de Diabetes - SBD um comunicado com as orientações às pessoas com diabetes no que se refere à vacina para febre amarela.

Compartilho aqui, na íntegra:






VACINAÇÃO CONTRA FEBRE AMARELA EM PACIENTES COM DIABETES

A Sociedade Brasileira de Diabetes vem recebendo várias solicitações de um posicionamento a respeito da vacinação contra a febre amarela em pacientes com diabetes.

Um estudo retrospectivo, conduzido por R. Mad’ar e colaboradores (1), avaliou 402 pacientes com diabetes quanto à segurança de uso de vacinas com vírus vivos e concluiu que, com base nos resultados deste estudo retrospectivo, que a vacinação em pacientes diabéticos está livre de qualquer risco, desde que não existam outras contra-indicações, por exemplo, alergia a componentes da vacina ou doença febril aguda grave.

No caso de glicemia instável e do sistema imunológico comprometido de forma significativa por diabetes a vacinação com vacinas vivas atenuadas deve ser cuidadosamente considerada e avaliada em relação aos riscos de exposição a todos e cada agente infeccioso específico.

Não há motivo para ter medo da vacinação em pacientes diabéticos, desde que sejam respeitadas as contraindicações gerais. Pelo contrário, este grupo de risco pode se beneficiar da vacinação de forma mais notável, porque há algum potencial para salvar vidas.

O Doutor Pedro Tauil, renomado especialista e Professor da Universidade de Brasília, resume as recomendações aplicáveis à avaliação da segurança de uso da vacina contra febre amarela em pacientes com diabetes em três tópicos:
1. Avaliar risco / benefício
2. Não há registro de maior número ou maior gravidade de eventos adversos em pessoas com diabetes
3. Assim, se a pessoa eventualmente se expõe ao risco de adquirir a doença (viver ou se dirigir para áreas rurais, onde circula o vírus entre macacos e mosquitos silvestres ou visitar países africanos ao sul do Saara), a vacina é recomendada.

(Referência bibliográfica: (1) Mad’ar R. et al. Vaccination of patients with diabetes mellitus: a retrospective study. Cent Eur J Public Health 2011; 19(2):98-101.)

Em caso de dúvidas e para confirmar se você deve ou não se vacinar, converse e consulte o seu médico.

16 janeiro, 2018

Febre amarela: a gente - doce - pode se vacinar?

Pode.
O diabetes por si só não é um fator impeditivo, mas cada pessoa deve verificar com seu médico sobre isso.

Eu trabalhei em área endêmica de 2001 a 2015, então já tenho as minhas doses mais que garantidas.
A primeira vez que me vacinei ainda não havia sido diagnosticada; na segunda vez, eu já tinha diabetes tipo 1 e não tive problemas.

Para entender o que é:
Conforme explicado pelo Ministério da Saúde, "a febre amarela é uma doença infecciosa febril aguda, causada por um vírus transmitido por mosquitos vetores, e possui dois ciclos de transmissão: silvestre (quando há transmissão em área rural ou de floresta) e urbano. O vírus é transmitido pela picada dos mosquitos transmissores infectados e não há transmissão de pessoa a pessoa".

Diferente dos casos de dengue, onde o transmissor é o Aedes Aegypti, a febre amarela é transmitida por qualquer mosquito que tenha sido infectados. Simplificando, funciona assim: se um mosquito pica uma pessoa que já está com o vírus da febre amarela, ele passa a estar infectado também. A partir daí, este mosquito passa a ser um transmissor.

A vacina é a maior ferramenta de prevendo e controle e atualmente está disponível em duas formas: dose única (padrão) e dose fracionada, que deve ter o reforço com a segunda dose depois de 8 anos.


Para pessoas em tratamento contra o câncer, imunossupressão e/ou reação alérgica à proteína do ovo, a vacina é contraindicada.

Para reconhecer os sintomas:
- início súbito de febre
- calafrios
- dor de cabeça
- dores nas costas
- dores no corpo
- náuseas e vômitos
- fadiga
- fraqueza.

Para quem convive com a doçura:
Agora sim... Sabendo do que se trata e como reconhecer se é preciso recorrer à ajuda, é importante destacar que, assim como o tratamento para o diabetes é individualizado, a recomendação da vacina para pessoas com diabetes também deve ser!

Conversei com a minha endócrino para saber se já existe um posicionamento geral para vacinação das pessoas com diabetes e o que ela me informou é que a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia - SBEM ainda não disponibilizou orientações neste sentido.
De qualquer forma, destaco aqui as recomendações dela, em relação ao que deve ser levado em conta:
- Como está o controle das glicemias
- Se usa alguma medicação que possa levar à imunossupressão e suas doses, como no caso de remédios para doenças autoimunes, tratamento de câncer...
- Idade
- Se há programação de viagem para locais em área de risco.

O mais importante: cada paciente deve conversar com o seu médico e definir junto com ele sobre tomar ou não a vacina!

O Ministério da Saúde tem divulgado informações sobre as regiões de risco e unidades de saúde com disponibilidade de vacinas com frequência. Acompanhem a página oficial para se manter informado (aqui: MS / Febre Amarela). A questão é muito séria e doença pode ser fatal.






15 janeiro, 2018

O diabetes e a maternidade: é possível!

Houve um tempo em que mulheres com diabetes que engravidassem não podiam nem pensar em ter seus filhos através de um parto normal.

Uma gravidez em uma mulher diabética requer muito mais atenção. No diabetes gestacional, que é aquele que se desenvolve já durante a gestação, a rotina de monitorização de glicemia e injeções de insulina acaba se fazendo necessária também.

As histórias de gestação nem sempre foram de sucesso em mulheres com diabetes ou que desenvolveram o diabetes gestacional. Mas algumas pessoas partiram da sua experiencia, mesmo nos casos de perda e dor, para mostrar a tantas outras que a possibilidade de ser mãe não deve ser desconsiderada.

A Kath Paloma é uma dessas.
Através do Blog Maternidade e Diabetes, ela abriu o coração e dividiu a sua história para ajudar a esclarecer sobre o assunto e acabar com o medo que ainda ronda muitas mulheres e famílias.
Além de ter registrado um diário da sua gestação, a Kath fala, atualmente, sobre o dia a dia compartilhando a maternidade e a convivência com o diabetes.
Vale a leitura! São histórias e relatos inspiradores e de superação.

No próximo domingo, dia 21 de janeiro, às 15h, ela realiza o II Doce Encontro - Bate papo sobre a experiencia de ser mulher, mãe e ter diabetes.
Como ela mesmo descreve, o "evento é destinado a mulheres que desejam engravidar, grávidas, mães com diabetes e seus filhos. O objetivo é reunir mulheres em um descontraído bate-papo com troca de experiências".
As inscrições podem ser feitas online (Link aqui).

Algumas coisas ainda assustam quando se trata de pessoas com diabetes. Os riscos envolvidos, seja em uma aventura pelo mundo ou no planejamento de uma gravidez, seja ela na pança ou no coração, precisam ser considerados para que tudo corra da melhor maneira possível.

Com cuidado adequado e atenção, nada é impossível!!




11 janeiro, 2018

Novos parâmetros para manter o rumo...

- Minha glicada está horrorosa!
- Calma!!

Mais um começo de consulta sem parcimônia. Eu já cheguei e antes mesmo da sentar já fui dando o veredito.

Depois de um longo tempo tentando sair da casa dos 7% de hemoglobina glicada, ano passado alcancei 6,5% e bati 6,2%! Estava muito feliz com isso. Sei o esforço para conquistar esses resultados, o que precisei rever e mudar no meu dia a dia. Então, pegar o primeiro exame do ano e me deparar com uma glicada de 7,1% não foi legal.
Fiquei bem chateada e, no fundo, sou a única responsável.

Mas esse número é ruim? Não!
Não mesmo.
E a Monique atestou isso comigo hoje.
Disse para eu manter a calma - e a paciência!!, que meus exames estão todos bons, que não me avalia por este número de forma isolada.
Eu já sabia que seria assim e é bom ouvir esse relato de uma médica que me acompanha desde o primeiro dia e hoje me traz confiança absoluta. Só que lá no fundo a sensação de decepção ainda me acompanha...

Agora fizemos uma reavaliação geral dos meus parâmetros de tratamento.
Minhas glicemias andaram variando demais entre altas e baixas e estava claro que alguma coisa precisava ser ajustada.
Para começar, a dose de Tresiba foi reduzida em duas unidades e o esquema de correção foi alterado, aumentando o intervalo de glicemia. Mexemos também na minha relação insulina / carboidrato. Eu estava usando uma unidade para cada 40g e passamos para 50g por unidade.

Já deixamos alguns outros ajustes pré-planejados, caso as glicemias não respondam adequadamente ao novo esquema.

Daqui a duas semanas eu vou ao consultório de novo. Enquanto isso, vou passando os registros de glicemia para a minha endócrino, para ela avaliar e confirmar sobre a adequação do que já mudamos.

O melhor dessa história toda, para mim, é que tudo foi decidido em conjunto. A cada passo ela ia me sugerindo e explicando os porquês, tomando como base o que eu estava relatando para ela sobre a minha rotina.
Assim, juntas, fica bem mais fácil.

Cabeça erguida, coração mais tranquilo, dedinhos a postos e alguns furinhos durante o dia para manter a doçura como deve ser!