Aqui no IP estão expostos os meus medos, as minhas descobertas, as conquistas, os avanços nas buscas pela cura do diabetes pelo mundo, os passinhos para um melhor controle da glicemia.

O que começou como um espaço de aprendizado e de dividir a minha convivência com o DM1, se transformou em estímulo para um melhor controle da minha doçura e para seguir mostrando que se funciona para mim, pode funcionar também para tantas outras pessoas que tem o diabetes como companheiro.

19 dezembro, 2017

Dos dias e da vivência lá nos Emirados...

Voltei!!
Agora, já em casa, o balanço geral desses dias nas arábias...
No dia de partir para Abu Dhabi, o frio na barriga apareceu!
Estava nervosa. Não seria a minha primeira viagem longa, mas desta vez o destino era um país do oriente, com hábitos e crenças bem diferentes dos meus e dos quais eu estava acostumada. 

Não tinha medo, mas gerenciar a ansiedade por participar de um outro congresso da Federação Internacional de Diabetes, com a responsabilidade de representar a nossa Revista EmDiabetes, lá do outro lado do mundo e sozinha, não foi uma tarefa exatamente simples. 
Embarquei carregando aquele pôster como se fosse a maior riqueza do planeta. Naquele pedaço de lona estava a chance do nosso trabalho ser visto e conhecido por pessoas de diversos países, de todos os continentes.
Além disso, todas as dúvidas possíveis sobre qual seria a melhor maneira de fazer a cobertura do Congresso: Definir um tema por dia para acompanhar? Buscar pelos especialistas? Focar nos simpósios?

Cheguei com um dia de atraso na terra dos camelos. Saímos do Rio uma hora e meia depois do previsto e, com isso, a conexão em Londres foi perdida. Ok, nada mal passear por 'London London'... valeu até encarar o frio. A única coisa ruim é que eu chegaria domingo, véspera do primeiro dia de Congresso, e tinha planejado o dia livre para me ambientar pela cidade e dar uma analisada com mais afinco na programação científica dos cinco dias de evento.

Pouso / imigração / mala / transfer / hotel! Ufa!
Algumas horinhas de descanso me separavam do IDF2017.

No dia 4 de dezembro eu estava lá, fazendo meu registro como delegada e como imprensa.
Crachás e material na mão... valendo!!

Em 2013, no Congresso Mundial de Diabetes da Austrália, eu estava por minha conta. A carga em cima do trabalho aprovado também era grande, afinal era uma paciente entre tantos especialistas. Mas o risco era só meu.
Agora, era o meu nome junto com o de outros 7. Sem meio termo, ou dava certo para todos ou dava errado para todos.

A vergonha que ainda me acompanha em algumas situações teria que ser deixada de lado.
Quem estava ali era a Juliana representante da Revista. Uma representante por todos os 8.
Foco no trabalho e em frente!

A cada dia uma experiência diferente.
A cada dia um assunto - novo ou velho - chamava a atenção de uma maneira.
De uma palestra vinham registros que gerariam ideias e dariam forma a outras matérias.
De uma conversa com uma pessoa, outra era apresentada.
De um assunto específico, outros tantos surgiam.
As discussões eram da primeira à ultima hora do dia.

Nosso trabalho lá, pronto para ser visto.
Nosso trabalho aqui, sem parar.
Acompanhamos o Congresso e divulgamos a tempo e a hora.

O peso da causa do diabetes fez o Sheik de Abu Dhabi se fazer presente na abertura do IDF2017.
É epidêmico. É sério.
E também é viável.
Foi bacana ver que em quase todas as palestras, fossem de educação, tratamento, tecnologias, a conclusão era semelhante: "o diabetes é uma parte de mim, mas não me define". 
Pacientes, médicos, profissionais de saúde, educadores. Os exemplos vieram das fontes mais distintas, mas todos mostrando que a força vem quando acreditamos que o diabetes não deve ser um fator limitante e impeditivo, que a força deve começar dentro da gente. 

Uau... é isso!
E aí isso cai por terra no momento em que você escuta um depoimento de quem tem a força e a independência negadas na base, seja por falta de apoio do entorno - família, amigos, círculo social, trabalho - ou por uma depreciação absurda que ainda acontece em algumas culturas, levando a crer que quem é diagnosticado com diabetes deixa de ser útil.

Enquanto se propaga a visão de que com educação e controle a vida com diabetes não chega nem perto de ser uma sentença, existem aqueles que só enxergam a pessoa com diabetes como um estorvo.
De tudo que eu vi, li e ouvi, isso foi o que mais me chamou atenção. Posições e posturas tão conflitantes. Como pode?

Se por um lado se discutia a falta de insumos que o Brasil e muitos outros países enfrentam, por outro era preciso também falar de discriminação e falta de tratamento por vergonha ou medo de exclusão.

Enquanto se falava das ações necessárias em casos de desastres naturais, também se destacava o número de casos de depressão associados ao diagnóstico.

Se a gente acredita que um conceito foi amplamente entendido, entre tantas histórias a gente percebe que tudo pode ser maior, pode ir além. É assim com a educação em diabetes. Mais do que saber da importância e do papel que ela representa, é fundamental considerar os hábitos e crenças do local, para que o programa de educação tenha pela eficácia. 

O que fica de conclusão, na minha visão, é que a questão deve ser sempre avaliada e cuidada na íntegra. Não a doença, a pessoa.
Não somente a glicemia, mas os sentimentos.
Não somente os horários de aplicação de insulina, mas a rotina real do dia a dia de cada um.

Ah sim, e falando em cada umcada um deve ter um tratamento seu, único, próprio.
- Ah, mas isso é óbvio.
Na teoria sim, na prática nem sempre.
Então, o alerta segue.

Foram 5 dias de informação sem fim. 
5 dias de conversas, contatos e muito trabalho.
5 dias admirando cada uma daquelas pessoas que se dedica a fazer da vida das pessoas com diabetes o melhor possível. 

Acabou e eu estava esgotada. E estava plena!
Mais uma vez eu tive a oportunidade de participar de um evento que é o maior do mundo sobre o tema. 
Tanto aprendizado!!

Agradeço à Cris, a quem tenho uma gratidão imensa por ter me colocado nessa empreitada do jornalismo e da comunicação social. Mais: pelos ensinamentos e pelo caminho que tem me ajudado a trilhar.
À equipe da nossa Revista, pela parceria e confiança. Estávamos todos lá no Congresso!
À Claudia Pieper e Sonia Castilho pela orientação, o conhecimento dividido, a companhia e o riso.
À turma de brasileiros que esteve junta por lá e fez os dias serem mais leves.
Meu trevo, sem você essa viagem não teria acontecido.
Muito, muito obrigada!

No meio dessa correria toda entre trabalho e passeio - claro!, a glicemia me deu boas rasteiras.
Curioso né?! Justamente quando o mundo se encontra para falar sobre a doçura...
O fato é que praticamente nada vinha com informação nutricional.
A 'chutagem' de carboidratos não deu tão certo e ainda teve o fator fuso horário (6 horas a mais em Abu Dhabi), que interferiu principalmente na chegada lá.

Nada que me tirasse o prazer do trabalho e nem interferissem nas horas tiradas para explorar a cidade.



A engenharia perfeita impressiona! Mas é tudo tão artificial, tão montadinho, que não chega a encantar. 
O mar é lindo, o pôr do sol com aquele sol gigante é pleno, mas só.
E, com todo respeito, 'ver' a obrigatoriedade de mulheres andarem cobertas seja por crença ou imposição, não me agrada. Só consigo enxergar um cerceamento de liberdade. 

No mercado eu descobri três produtos zero acúcar, um biscoito e dois sucos, que tinham a informação sobre a quantidade de carbos, mas só.

Nem nos voos a glicemia se comportou... 
Eu costumo apostar na refeição especial, para 'diabetes', e geralmente funciona. Mas dessa vez acabei me arrependendo. Na verdade, o que a British fez foi somente tirar a sobremesa e não me dar a opção de escolha entre os dois pratos disponíveis. 
A única vantagem é que a refeição especial chega antes de servirem as demais.

Tive uma hipoglicemia no voo de volta, já na conexão
Previsível... dois dias vagando em aeroportos até conseguir de fato embarcar para o Rio, sem comer direito, cansada, irritada. 
Ataquei um chocolate que estava na mochila e quando a comissária chegou com o meu almoço, ela logo percebeu que eu estava em uma "sugar rush". A minha expressão devia ser de um certo pânico, porque eu nem precisei falar nada para ela concluir que eu estava realmente com pressa de ingerir açúcar e sair daquela situação!

Não tive problemas, mas uma hipo grande (foi uma LO...) em um voo a 40.000 pés de altitude foi tensinho.
Depois de toda essa comilança, o rebote.
Pois é, essa pressa do açúcar me fez devorar toda a refeição sem parcimônia e sem nenhuma dose de insulina de ação rápida para garantir a quantidade de carboidratos que estava ingerindo.
Lá foi a glicemia de uma vez só para o alto e avante!!
Corrigi, assisti mais um filme, dormi e só me restava acalmar os ânimos e esperar as horas de voo que faltavam.

Cheguei, a semana passou voando e ainda estou organizando tudo por aqui.
Enquanto isso, a certeza de que quando fazemos algo em que acreditamos, o resultado vai ser sempre positivo.

..."Minha trupe vai levantar poeira
Todo dia eu tô de prontidão
Guardião do prazer, da brincadeira
E gratos por sua atenção
Revelamos aqui de mão primeira
Mas se é sonho ou verdade eu não sei não"...
(Sonho / Rodrigo Maranhão)

Nos cabe seguir buscando o melhor, para a gente e - principalmente - para cada pessoa que convive com o diabetes.



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