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Há uns dois anos, contando para um profissional da área de saúde sobre a minha relação com o diabetes, o blog e a maneira com que decidi dividir minha vivência com a doçura, ouvi uma pergunta que desde então não saiu da minha cabeça: - Onde você quer chegar?

A pergunta foi clara, direta e gerada - como dito por ele - pela minha empolgação com isso tudo.
Eu já tinha me questionado, até mesmo em alguns posts aqui no IP, e a verdade é que eu nunca tinha parado de fato para pensar nessa linha de chegada. Nunca tracei metas para o IP, nunca projetei números de acessos e nunca escrevi uma linha aqui buscando status.

Só que agora eu realmente parei para pensar a fundo. Onde eu quero chegar?

Até aqui são 7 anos de blog!
Conheci pessoas, ouvi opiniões, críticas. Vi torcida: por mim e pelo Insulina Portátil.
Vi meu IP ser recomendado por amigos médicos, nutricionistas, psicólogos. Vi a minha própria endócrino indicar o blog a pacientes. Vi a família e os amigos o tempo todo do meu lado...
Aprendi que a união ajuda, que a cumplicidade fortalece.

Onde eu quero chegar?
Sem perceber, eu já cheguei.
Não tinham coordenadas definidas e sequer bússola indicando o caminho. Desde o primeiro dia em que decidi me expor e mostrar os altos e baixos da minha vida doce, tinha uma coisa só e que vem me guiando até então: a intenção de mostrar que o diabetes não é uma sentença.

A vida pós diagnóstico pode ser muito boa, obrigada.
Está longe de ser um mar de tranquilidade num estalar de dedos, mas é possível, viável e sem restrições absolutas. A vida doce pode ser plena...
Mas aprendi que sem cuidado e atenção, sem apoio e tratamento, nada disso é real.

De lá para cá, fiz novos amigos.
Participei, junto com alguns destes, de ações de conscientização pela causa.
Lancei, junto com outros, uma revista sobre o tema, onde falamos de igual para igual.
Conquistei um melhor controle.
Conquistei até uma nova profissão: 'jornalista'.

Eu continuo não querendo vitrine, continuo não querendo pódio.
Depois deste pequeno balanço, continuo sim com aquela empolgação que eu comentei bem no comecinho deste relato. E sabe por que? Porque eu continuo pensando que "se é possível para 'esta Juliana', é possível para qualquer outra Juliana, ou para a Maria, ou para o João, ou para todos os outros que foram sorteados para lidar com esta condição."

Ainda acredito que conhecimento é parte do tratamento e ainda vou levantar muito (cada vez mais!) a bandeira da educação em diabetes.
"...disciplina é liberdade..."

E ainda vou usar e abusar da minha convivência com este tal diabetes, com todas as dúvidas, certezas e também as eventuais falhas a que tenho direito.
Para isso vale café acompanhado de vídeo - quanto trabalho de convencimento dos amigos queridos!!, vale encarar mais Congressos médicos, vale ir além do que eu sequer achei que fosse passível alcançar.

Vou pelo diabetes, pela saúde, pelo respeito e contra o descaso.
"...compaixão é fortaleza..."

Quero contribuir no que puder.
Quero colaborar com o que estiver ao meu alcance.
Quero acreditar que cada clique aqui no meu IP pode ajudar alguém a repensar e levantar do susto pós diagnóstico.
"...e há tempos o encanto está ausente
e há ferrugem nos sorrisos
só acaso estende os braços
a quem procurar abrigo e proteção..."

Vou por mim e por quem mais quiser vir e continuar junto.
"...disseste que se tua voz
tivesse força igual
à imensa dor que sentes
teu grito acordaria
não só a tua casa
mas a vizinhança inteira..."

Sigo estudando, me cuidando, dividindo e agradecendo um tanto!!




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