Aqui no IP estão expostos os meus medos, as minhas descobertas, as conquistas, os avanços nas buscas pela cura do diabetes pelo mundo, os passinhos para um melhor controle da glicemia.

O que começou como um espaço de aprendizado e de dividir a minha convivência com o DM1, se transformou em estímulo para um melhor controle da minha doçura e para seguir mostrando que se funciona para mim, pode funcionar também para tantas outras pessoas que tem o diabetes como companheiro.

31 julho, 2017

MiniMed 640G: Cena 2 - Quase bombando...

31 de julho era a data marcada para começar o novo tratamento da vida doce... Ia colocar a bomba de insulina hoje. Só que com a demanda por este tipo de tratamento aumentando, faltaram sensores.

Eu explico...
A Medtronic está lançando a MiniMed640G no Brasil, mas as bombas de infusão de insulina já são utilizadas há muito mais tempo. Por conta disso, o sensor que se comunica com a bomba - o 'Enlite' - passou por um período de baixa no estoque, como informado pelo comunicado da empresa: 





"Devido ao aumento significativo da demanda pelos nossos sensores de glicose, estamos vivenciado disponibilidade limitada deste produto. A melhora significativa de nosso CGM ('continuous glucose monitor', ou, monitor contínuo de glicose), combina com novas coberturas de reembolso em alguns países e aumento da conscientização sobre os benefícios da monitorização contínua, ocasionaram aumento de sua utilização. 




Com base nisso, reavaliamos estimativas de disponibilidade e acreditamos que teremos restrições de fornecimento dos sensores por alguns meses. Como resultado, podem acontecer alguns atrasos no envio de pedidos nesse período".

Nos dias 28 e 29 de julho aconteceu, em São Paulo, o treinamento dos blogueiros que vão fazer o teste do sistema MiniMed640G. Como eu não pude ir, vou fazer o meu aqui no Rio, com a Ligia Figueiredo, enfermeira e educadora em diabetes da Medtronic. Com a indisponibilidade do sensor, meu kit não chegou a tempo e por isso o meu início nesse mundo bombado também vai atrasar alguns dias. 

Enquanto isso, a ansiedade segue grande por aqui. 
Ontem fui acordada cedinho por uma hipoglicemia chatinha... A primeira coisa que pensei foi: "a bomba não suspendeu a liberação da insulina!".
Cabeça já funcionando no ritmo do tratamento novo!!

Falta pouco!
Vai ser esta semana ainda e vou avisando por aqui. 

E, olha, para quem usa qualquer um dos sistemas de infusão contínua de insulina da Medtronic e está com problemas de falta do sensor, a empresa recomenda que se faça contato com a Central de Atendimentos (0800 773 9200), a qualquer horário em qualquer dia da semana.






26 julho, 2017

MiniMed 640G: Cena 1 - Bombando!

Há uns dois anos, minha endócrino me perguntou, durante uma consulta, se eu tinha interesse em usar bomba de insulina. Respondi com outra pergunta: "você acha que eu preciso"?
- Não, mas se um dia quiser, fale comigo e testamos.

Para entender melhor do que se trata:
"As bombas de infusão de insulina são equipamentos pequenos e portáteis que liberam insulina de ação rápida 24 horas por dia. Do tamanho aproximado de um pequeno telefone celular, as bombas de infusão de insulina liberam insulina através de um pequeno tubo e uma cânula (conhecidos como conjunto de infusão) colocados sob a pele".

É um tratamento diferente do que eu faço. Hoje minha terapia é com insulina de ação longuíssima (Tresiba) + insulina de ação rápida (NovoRapid). Mas, finalmente chegou a oportunidade de conhecer como funciona o sistema de infusão contínua de insulina - a Bomba! E chegou junto com o lançamento da tecnologia mais moderna que já aportou em terras brasileiras: "o MiniMed 640G é um dispositivo inovador que imita a forma de um pâncreas saudável e fornece insulina basal ao corpo, a fim de ajudar as pessoas com diabetes a obter melhor controle glicêmico".

- Mas você teve alguma complicação em função do diabetes?

Nada disso! Sigo sem complicações e com a glicemia sob controle. O que ocorre é que a Medtronic me convidou para testar essa tecnologia e eu topei!!

Sempre usei as canetas e sou bem adaptada a elas. Além da NovoRapid, estou muito satisfeita com a Tresiba - a insulina que uso há 1 ano - mas decidi 'instalar' a Bomba para testar um novo tratamento.
Com a Bomba não precisarei de múltiplas injeções ao longo do dia e terei a segurança da suspensão da insulina quando o sistema indicar que a glicemia está em queda, evitando uma hipoglicemia: "a tecnologia consegue prever, com 30 minutos de antecedência, quando o nível de glicose do paciente estará próximo do limite mínimo e interrompe automaticamente a administração de insulina".
É o primeiro sistema assim no mundo.

A data já está marcada - 31 de julho!
Enquanto espero, um misto de animação, curiosidade e ansiedade pairando no ar. E, estabanada que sou, um receio também de prender o cateter em alguma maçaneta, de deixar a Bomba cair, de quebrar alguma coisa...
O manual já me dá um alerta:
Para quem arrancou o primeiro sensor do Libre na porta da cozinha, vale redobrar a atenção!!

Brincadeiras à parte, não vejo a hora de entrar no modo robô - que agora irá além do sensor.

Minha super endocrinologista está acompanhando tudo. Desde que contei sobre o convite para o test-drive, ela vem me orientando sobre as mudanças que vão acontecer no meu tratamento. O meu último pedido de exames parecia o do diagnóstico. Ela praticamente me virou do avesso, para assegurar que estivesse tudo bem e que nada atrapalhasse o teste.

Vai ser assim, ó:
(http://www.aotrabalho.blog.br/sistema-minimed-640g/)
"Ao utilizar um sensor e um transmissor, a bomba de insulina mostra os valores contínuos do sensor e armazena estes dados para que possam ser analisados de forma a acompanhar padrões e a melhorar a gestão do diabetes".

Por enquanto, sigo mantendo a alimentação em ordem, meu pilates na rotina e um acompanhamento ainda maior das minhas glicemias. Agora, mais do que nunca, tenho monitorado a doçura antes e depois de cada refeição, antes de ir dormir e em alguns outros intervalos ao longo do dia. Sei que o conhecimento sobre a minha variação glicêmica também vai ajudar a adequar o tratamento novo.

5 dias e contando!
Serão dois meses usando o MiniMed 640G e vou contando tudo, cada etapa, aqui pelo IP.


23 julho, 2017

Pode sim.

Mas pode brincar o carnaval?
Pode beber cerveja?
Pode viajar sozinha?
Pode tocar tamborim?

Pode.
Pode sim!

Por mais que se imagine que não pode um monte de coisa, a gente pode sim.
A vida com a doçura é cheia de questionamentos, cheia de dúvidas. No começo, tem alguns 'não pode'. Eu também tive, era preciso colocar algumas coisas de volta ao seu devido lugar... Depois, aos poucos fui aprendendo que com adesão ao tratamento, conhecimento, aprendizado, conversas e esclarecimentos com a minha endócrino e assumindo a responsabilidade de docinha no dia a dia, a gente pode sim.

Pode porque eu decidi ficar de bem com essa condição.
Pode porque eu decidi entender como cuidar desse tal diabetes tipo 1, que chegou chegando.
Pode porque eu tenho uma super endócrino que banca, junto comigo, a minha rotina.
Pode, porque todas as pessoas à minha volta também assumiram essa condição e cuidam de mim e da minha doçura com amor e dedicação.

Pode.
Pode sim!

Pode ser que o dia seja tranquilo.
Pode ser que eu nem precise corrigir a glicemia.
Pode ser que eu tenha que aumentar a dose de insulina.
Pode ser até que eu esqueça o glicosímetro em casa...
E pode ser que vez ou outra eu acorde com preguiça desse diabetes.

Pode.
Pode sim!

Pode ser que o almoço seja um pratão lindo e colorido.
Aí, pode ser que a sobremesa seja daquelas que mereciam ser capa de jornal!

Porque pode.
Pode sim!

A gente que é doce pode.
A gente conta - as histórias e os carboidratos.
A gente aprende.
A gente divide.
A gente escolhe.

Porque pode.
Viver bem com o diabetes pode.
Ser feliz dividindo os dias com a doçura pode.
Pode sim!

A única coisa que não pode e não vai poder nunca é o descaso com tanta gente doce. É a falta de medicamentos e insumos. A falta de respeito por quem convive com essa condição e precisa da insulina para viver. Insulina não é luxo... glicosímetro não é luxo! Luxo é ter recursos e a garantia de que não faltará tratamento para garantir os tantos 'pode sim' de cada dia.

18 julho, 2017

Só um número no visor?!

Mas peraí: e a interpretação dos resultados?
Só monitorar sem prestar atenção ao que os resultados adianta?

No tratamento com diabetes tipo 1, a monitorização é imprescindível para definir a quantidade de insulina a ser aplicada. Ajuda na correção da contagem de carboidratos, a identificar se a dose de insulina - seja basal ou bôlus - está adequada ou não e é super importante para prevenir uma hipo.

Acompanho alguns grupos de discussão sobre diabetes nas redes sociais e me apavoro com perguntas do tipo "Minha glicemia de jejum deu 250mg/dL. Isso é bom?". A sensação que eu tenho é que as pessoas usam o glicosímetro mas sem saber nem para que. Não sei se pelas consultas relâmpago que acontecem em algumas unidades de saúde ou clínicas, independente de serem públicas ou particulares, não sei se pelo medo de furar o dedo, não sei se pelo medo do diabetes.
A única coisa que eu sei é que isso precisa mudar. A condição é controlável, a condição não é uma sentença, mas é preciso que as pessoas saibam e entendam isso.

Um dos maiores recursos que temos no dia a dia com o diabetes é justamente a possibilidade de monitorar a glicemia. Um furinho no dedo ou uma checada no sensor de monitorização constante podem salvar vidas. É lógico que eu também passo por momentos de preguiça e eventualmente acabo dando um intervalo grande entre uma medição e outra, mas isso não é regra.

A verdade é que, muito mais do que tirar a gotinha de sangue do dedo, o importante é saber o que o resultado diz. Jejum de 250mg/dL não é bom. E quando acontece, o número indica que precisamos avaliar os últimos passos: se a correção do jantar foi adequada, se a ceia foi exagerada, se tem uma infecção chegando, se uma dose de insulina foi esquecida... Existem diversos 'se' nos nossos dias doces e o glicosímetro ajuda a gente a esclarecer muitos deles.

Inclusive, para prevenir cetoacidose. Em certo momento, minha endócrino recomendou até um outro glicosímetro que tem fitas específicas para medir cetonas, como já contei aqui.

O problema é que também vejo muitos pacientes de diabetes tipo 2 relatando que não têm direito, nas unidades públicas de atendimento, a glicosímetros e tiras para fazer monitorização. Acho um absurdo! Na minha visão, medir a glicemia constantemente é o básico para um bom controle do diabetes, em qualquer tipo, embora esta não seja a visão de alguns especialistas.

Recentemente foi divulgado um estudo pela Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, afirmando que "o teste de glicose em amostras de sangue não oferece uma vantagem significativa no controle de açúcar no sangue e nem melhora a qualidade de vida dos pacientes com diabetes tipo 2 que não são tratados com insulina".
Alegar que a monitorização não interfere para quem tem DM2 sem uso de insulina é, a meu ver, fazer a análise rasa apenas considerando o furinho no dedo. É preciso fazer o bom uso da informação. Ou seja, usar aquele resultado a nosso favor.

Há muito a ser feito no que se refere à educação em diabetes.
Há muito a ser feito para melhor o entendimento de cada docinho acerca da condição.

É preciso preparar as equipes de saúde para que os pacientes não saiam dos consultórios mais perdidos do que entraram.


O furinho no dedo não é à toa.

A evolução tecnológica que permite que cada um consiga monitorar a sua glicemia em casa não pode ser desperdiçada!




15 julho, 2017

Outro rumo... novas certezas!

4 anos atrás, nesta mesma época, eu recebia um email que me fez aceitar, mas ainda, que o diabetes não ia mesmo me limitar.
Mais: me levaria para um caminho onde a educação em diabetes se mostrava muito maior - e mais importante - do que eu já acreditava. O Congresso Mundial de Diabetes de 2013 foi uma virada de chave...

Agora, com uma bagagem maior de conhecimento, de empenho, de pesquisas, de conversas, de informação compartilhada e, inclusive, com uma Revista lançada com o objetivo de falar diretamente com quem precisa ouvir, um novo email tal qual aquele primeiro.

"Dear Mrs. Machado..."
Tudo igual: a emoção, o frio na barriga, a vontade de gritar e contar para todo mundo o que a gente tinha alcançado... aonde a gente estava chegando. Aonde essa Revista estava levando a gente!!

Abu Dhabi é esse 'aonde'. O 'o que' é o Congresso Mundial de Diabetes de 2017!
A matéria de capa da nossa edição de Julho foi especial. Sobre o Congresso, sobre a nossa missão, sobre o que nos move.

Êxtase absoluto!
Quando nós enviamos o artigo como trabalho inscrito para o Congresso, no último dia de prazo, sem nem passar por uma revisão final com algum especialista no idioma - o inglês - eu tinha um otimismo grande. Nosso projeto nem estava no ar ainda, mas eu sentia que ele tinha força. Só que o Congresso Mundial é o maior evento sobre diabetes no mundo e eu sabia que, assim como nós fizemos, outros tantos estavam enviando trabalhos importantes e relevantes.

No dia D, o corre-corre para pegar os dados dos sete, para decidir e bater o martelo no nome do artigo, para finalizar o texto a tempo de enviar... e foi!
'How to make Diabetes possible', ou, Como tornar o Diabetes possível.
Por que?
Porque essa é a nossa missão a cada reunião de pauta, a cada mensagem trocada, a cada sugestão de matéria, a cada entrevista feita, a cada revisão final antes da nova edição ir ao ar. A nossa Revista EmDiabetes quer mostrar, todo dia, numa linguagem que qualquer pessoa convivendo com a doçura possa entender, que o diabetes é possível, que viver bem com diabetes não é um mistério.

Lá vamos nós, ganhar o mundo!
(ainda estou em êxtase!!)
Passagens, hospedagem... começa a busca pelos melhores preços.
Ideias de pôster nascendo e a nossa vontade de trabalhar crescendo ainda mais.

Vamos em frente.
Outro Congresso... outra experiência.
O sonho segue, cada vez maior e mais firme!

11 julho, 2017

Lipohipertrofia: muito além da estética!

Já ouviu falar em lipohipertrofia (LH) ou lipodistrofia? Nomes esquisitos, não é? Mas para quem convive com a doçura, são mais comuns do que se imagina. 

A lipohipertrofia é um acúmulo de gordura nos locais de aplicação da insulina. Isso acontece quando não é feito o devido revezamento dos locais. Eu costumo aplicar nas coxas, nos braços e - muito mais! - na barriga. E adivinhem o que aconteceu? Lá estão os meus 'gominhos' na pança, pela falta de revezamento adequado.

- Mas se você sabe que precisa alternar os locais de aplicação, por que não fez?

Porque no dia a dia, na correria, numa hiper, naquela corrigida rápida antes de começar a sessão do cinema... a praticidade acaba falando mais alto, aplico na barriga mesmo e sempre penso que "é só dessa vez, na próxima eu aplico no braço".

No verão e em dias mais quentes, aplico na perna sem qualquer problema. O uso de vestidos, shorts ou saias ajuda bastante. A mesma coisa para os braços, afinal as camisetas sem manga imperam. Agora, nesse período de temperaturas mais baixas e casacos sendo companheiros inseparáveis, nada de passar frio: a barriga é sempre a escolhida. E, por mais que eu ache que não vai ter problema, que nunca vai acontecer, acontece. Aconteceu comigo!
De leve, nada gritante, mas está aqui e sim, me incomoda. Ah, incomoda a minha endócrino também e levei um baita puxão de orelha na última consulta. 

O fato é que isso não é só uma questão estética. Segundo o Dr. Augusto Pimazoni Netto, a LH pode interferir no controle da glicemia:
"O aspecto mais importante dessa alteração é que ela pode interferir na eficácia da terapia insulínica, uma vez que quando a insulina é aplicada nessa massa de tecido gorduroso, pode apresentar um retardo significativo na absorção de insulina, levando o paciente a picos de hiperglicemia. Mais tarde, esse retardo pode levar a uma redução perigosamente baixa dos níveis sanguíneos de glicose, uma vez que a absorção de insulina e a consequente liberação para a corrente sanguínea fica prejudicada num primeiro momento após a injeção e, depois, toda a insulina é liberada mais rapidamente, levando à situação oposta, de hipoglicemia".
(A entrevista dele sobre o assunto está publicada na página da SBD e pode ser acessada, na íntegra, por este link: LH_Dr. Pimazoni)

Portanto, assunto sério e puxão de orelha bem dado.
Com esta chamada de realidade, estou prestando mais atenção nas aplicações e tentando manter mais intervalos para a pancinha, além de manter mais rotatividade nos outros locais. 

Vale dizer que a LH não é permanente. Com o rodízio, o local afetado tende a voltar ao normal.

Para não errar na hora de aplicar, fica a dica:
(Imagem e detalhes sobre o rodízio: DiabetesMed)

Não basta aprender nem saber, a gente precisa colocar em prática o que é melhor para o nosso tratamento.
Ação e reação, é simples assim!







08 julho, 2017

A comprovação da Tresiba...

Uso a Tresiba desde julho de 2016. Simpatizei com ela de cara, pelo fato de ser uma dose única a cada 24 horas. Afinal, não é porque eu digo que as injeções não me incomodam que eu vou querer aplicar a todo momento, certo?

Como toda mudança de tratamento, fiquei desconfiada no início. 2 anos usando a NPH (Novolin), que eu aplicava três vezes ao dia, depois outros 5 usando a Levemir, com uma dose a cada 12 horas. Então, eu sabia que levaria um tempo até acreditar mesmo que a Tresiba duraria pelas 24 horas seguintes...
Na verdade, essa era uma dúvida que eu tinha desde que ouvi falar da tal insulina de longa ação pela primeira vez. Já em 2014, quando anuncie a grande novidade da época, questionava se a ação prolongada seria um problema: "se porventura antes das 42 horas a glicemia sofrer alteração e for necessária alguma correção, como a Tresiba ainda estará no organismo, poderia haver um 'acúmulo' de insulinas e, consequentemente, causar uma hipoglicemia?".

Pois bem, desde que comecei com essa insulina percebi que meu controle glicêmico deu uma melhorada. Esse resultado também foi refletido na minha hemoglobina glicada (a velha batalha pessoal... já falei bastante sobre isso por aqui) e tive bem menos casos de hipo.

O EU-TREAT (European Tresiba Audit) apresentou recentemente alguns dados de um estudo chamado 'Vida Real', mostrando que "as pessoas com diabetes tipo 1 e tipo 2 experimentaram uma redução significativa nas taxa de hemoglobina glicada 6 meses após passarem para um tratamento com a Tresiba". No que se refere à hipoglicemia, a melhoria também apareceu: "em pessoas com diabetes tipo 1, a taxa de hipoglicemia grave foi reduzida em 85%, índice que subiu para 92% em pessoas com diabetes tipo 2".

A boa nova é que recentemente foi divulgado pela Novo Nordisk (a fabricante) o resultado de outro estudo - o DEVOTE - realizado para avaliar o efeito da Tresiba, desta vez mais focado em pacientes de diabetes tipo 2.
{Um à parte: geralmente pacientes de DM 2 são tratados com medicamentos orais; mas, em alguns casos, a terapia com insulina é incluída no tratamento.}

Voltando... No DEVOTE, 7.637 pessoas já diagnosticadas com diabetes tipo 2 e alto risco de desenvolver doença cardiovascular (entre eles, 10 brasileiros) foram envolvidas; 3.818 utilizaram a Tresiba (uma insulina degludeca) e os outros 3.819 utilizaram uma insulina de longa ação similar, com princípio ativo diferente (insulina glargina). Eles foram monitorados por dois anos e o que se buscava era avaliar o tempo até a ocorrência de um problema cardiovascular e como seria o reflexo do tratamento em relação às hipoglicemias graves, às noturnas, aos efeitos na glicemia de jejum e na hemoglobina glicada.

Na declaração do Dr. Bernard Zinman, que é membro do Comitê Diretor do DEVOTE, ficam claros os benefícios e resultados alcançados:
- "No estudo DEVOTE, a insulina degludeca mostrou reduções significativas nas taxas de hipoglicemia grave (40%) e noturna (53%), além de não demonstrar aumento no risco de eventos cardiovasculares maiores, em comparação com a insulina glargina. O risco de hipoglicemia grave e doença cardiovascular são preocupações importantes para pessoas com diabetes tipo 2 (...)."

A evolução nos tratamentos - e aqui cabe tanto o tipo de insulina utilizada quanto a maneira como se faz as aplicações - sem dúvida é um ganho para nós, docinhos, que precisamos estar atentos todos os dias, a todo momento. O diabetes é uma doença crônica, mas que pode ser controlada. Com informação e entendimento e com a parceria do seu médico - nunca altere seu tratamento sem orientação médica!! - é possível manter a saúde em ordem.





Além dos benefícios já comprovados, na minha opinião a Tresiba tem mais uma vantagem: você define o melhor horário para aplicar! Só é preciso respeitar isso a cada dia.

A minha dose eu tomo por volta de 08h da manhã.
Prefiro assim, tenho a sensação de cumprir a missão logo cedo e depois deixar o dia correr tranquilo, mas o horário deve ser aquele que melhor se encaixe na rotina de cada um.

Ou seja, maior controle e menor interferência nas nossas atividades do dia a dia.

02 julho, 2017

A diferença que traz dúvida...

Desde que comecei a usar o Libre a questão da diferença entre os resultados da ponta de dedo (glicemia capilar) e os do sensor (glicemia intersticial) me chamou atenção. 

Entendo que os resultados não sejam os mesmos e sei o porque desta diferença. Mas, recentemente, tive acesso a um vídeo explicativo da Medtronic - que também tem um sensor de monitorização constante - e ficou mais fácil entender porque os números do sensor e do dedinho são diferentes. 
São só 2 minutos e 46 segundos (para acessar, é só clicar aqui). Uma analogia à carrinhos de uma montanha-russa e tudo simplifica!

Como o vídeo está em inglês, fiz uma tradução livre:

"Pensem na glicemia capilar (blood glucose - BG) e na glicemia intersticial (sensor glucose - SG) como os carrinhos de uma montanha-russa. Imaginem que as subidas e descidas desta montanha-russa sejam como as variações da sua glicemia num dia típico. No 1º carrinho está a glicemia capilar (BG); o último carrinho é a glicemia intersticial (SG).
Lembrem-se que quando o carboidrato é digerido, a glicose entra primeiro na corrente sanguínea e depois circula pelo fluido intersticial, a caminho das células. Por isso o último carrinho representa a glicemia medida no sensor. 

Agora pensem nos carrinhos se movendo na subida e na descida da montanha-russa. A glicemia capilar (BG) está na frente conforme os carrinhos vão avançando. 

Raramente os níveis de BG e SG são iguais... E quanto mais rápida for a variação glicêmica - depois de comer, depois de tomar insulina ou de fazer exercícios), maior será a diferença entre as glicemias medidas na ponta de dedo e com o sensor. 
Com os sensores de monitoramento contínuo, o foco não é o número resultado em si, mas nas tendências indicadas. Entender a velocidade e a direção do movimento da glicose é mais importante do que avaliar somente os valores individuais."

As tendências são de uma grande ajuda no controle, porque indicam uma hipoglicemia iminente, uma alteração brusca depois de uma refeição ou até mesmo que a dose de insulina aplicada foi insuficiente...

 (imagens do Manual do FreeStyle Libre)

A Aboott destaca que em algumas situações especificas é preciso medir no dedinho também, afim de comparação:
- Durante períodos de rápida alteração nos níveis da glicose (a glicose do fluido intersticial pode não refletir com precisão o nível da glicose no sangue)
- Para confirmar uma hipoglicemia ou uma iminente hipoglicemia registrada pelo sensor
- Quando os sintomas não correspondem às leituras do sensor. 

Sempre que coloco um sensor novo, uso as duas formas para medir as glicemias por 48 horas, só para garantir que não houve nenhum problema, seja na aplicação ou qualquer alteração técnica que possa interferir na operação do Libre.

As variações acontecem sim, mas quando o número do sensor não condiz com o que você está sentindo, vale seguir a recomendação do manual do Libre:
"Em raras ocasiões, você pode obter leituras de glicose inexatas no sensor. Se você acredita que suas leituras não estão corretas ou são incompatíveis com o modo como você se sente, faça um teste de glicose no sangue em seu dedo para confirmar seu nível de glicose. Se o problema continuar, retire o sensor atual e aplique um novo."

Mas quando a diferença é muito grande entre o valor do dedinho e o do sensor, vale falar com a Abbott (já aconteceu comigo e até hoje não me convenci da justificativa deles, porque as diferenças eram gritantes!). Nesses casos, reconhecer os sintomas e falar com seu médico são as melhores alternativas para saber como proceder.

A monitorização é o maior recurso que a gente tem hoje em dia para um bom controle da doçura e é fundamental entender o que o monitor está mostrando!