Aqui no IP estão expostos os meus medos, as minhas descobertas, as conquistas, os avanços nas buscas pela cura do diabetes pelo mundo, os passinhos para um melhor controle da glicemia.

O que começou como um espaço de aprendizado e de dividir a minha convivência com o DM1, se transformou em estímulo para um melhor controle da minha doçura e para seguir mostrando que se funciona para mim, pode funcionar também para tantas outras pessoas que tem o diabetes como companheiro.

17 maio, 2017

A palavra com 'D'...

Existe uma discussão nesse mundo da doçura que vai bem além do tipo de tratamento ou de insulina a ser usada.

A questão em foco, neste caso, é como tratar quem tem diabetes:
Diabético ou pessoa com diabetes?

Eu confesso não ter qualquer problema em ser chamada de diabética.
Mas em discussões que já presenciei vejo que o argumento maior para que seja evitado o termo é que, usando a tal palavra com 'D', o que parece é que o diabetes é a única coisa que define aquela pessoa:
"Fulano é diabético".
Quando, na verdade, fulano é ciclista, matemático, cantor, advogado ou qualquer que sejam as outras coisas que fazem parte do seu dia a dia.

Ouvi, certa vez, que segundo a IDF, 40% das pessoas se sentem incomodadas em ser chamados de 'diabéticos'.
Em tese, isso deixa 60%, então, no montante de pessoas que não liga...
Mas respeito é bom e não faz mal nenhum evitar quando se sabe que não agrada, certo?

O que ocorre é que há um outro lado da moeda que precisa ser avaliado.
Não existe informação acessível sobre o diabetes. A gente só escuta falar que mata, que amputa, que priva do que é bom.
Mal se fala sobre as diferenças entre os tipos mais conhecidos, o 1 e o 2.

E aí, honestamente, eu penso que antes de discutir sobre a utilização do termo ou não, há que se fazer chegar esclarecimento, tratamento e educação em diabetes a cada diabético que precisa!
Isso sim é imprescindível.

A turma do TuDiabetes / Diabetes Hands Foundation lançou um vídeo bem legal que trata dessa discussão e vale a pena parar para assistir (são pouco mais de 7 mindinhos, em inglês).

O que eles destacam é que quando se usa 'pessoa com diabetes' a referência é a uma pessoa que está vivendo com diabetes. Por outro lado, quando se chama alguém de 'diabético', já se começa rotulando alguém e deixando de lado qualquer outra coisa que não o diabetes na vida.

O Steve, o que não se importa em ser chamado de diabético, lançou uma página onde ele mostra um pouco da vida sem limitações que, em tese, esse rotulo traria.
O que ele faz é dividir uma vida de viagens, fotografia e aventuras, como prova de que o diabetes não é um fator limitador e, menos ainda, se sente rotulado.

Um post feito por ele - You can call me a diabetic - gerou um debate com o Mike.
Mike não se ofende, mas entende e também prefere ser chamado de pessoa com diabetes.

Já o primeiro coloca que para acabar com o estigma, é preciso primeiro definir como devemos ser tratados. Ele alega que isso se deve a uma vergonha que vem associada ao fato de ter diabetes. Uma vergonha imposta por uma culpa de que nós seriamos os causadores da doença, seja de que tipo for.

Ambos concordam que há assuntos mais importantes a serem tratados do que a discussão sobre o uso ou não da palavra com 'D', mas cada um decidiu usar ou eliminar o uso:
"O caminho para ter sucesso convivendo com essa doença envolve questionar tudo e ser independente o suficiente para formular suas próprias regras, baseadas no que funciona para você, e não jogando por regras impostas pelas autoridades da internet..."

Eu, por exemplo, raramente falo sobre o diabetes como doença. Não gosto do termo, mas isso é uma questão minha, particular. Trato como uma condição de saúde séria, como de fato é.
Sei que se eu não me cuidar, aí sim fico doente.

Mas cada um sabe o que incomoda e, se em alguma situação específica me pedirem para não usar a palavra 'diabético', eu vou respeitar.

Para fechar, deixo uma citação do Mike, com a qual concordo totalmente:
"...a gente pode mudar o sentido das palavras através de ações."

Vamos falar mais, conversar mais, aprender mais, compreender mais o outro. Na minha opinião, é o melhor caminho para viver bem com qualquer condição de saúde que requer atenção. Vai muito além das palavras usadas ou apontadas!

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