Aqui no IP estão expostos os meus medos, as minhas descobertas, as conquistas, os avanços nas buscas pela cura do diabetes pelo mundo, os passinhos para um melhor controle da glicemia.

O que começou como um espaço de aprendizado e de dividir a minha convivência com o DM1, se transformou em estímulo para um melhor controle da minha doçura e para seguir mostrando que se funciona para mim, pode funcionar também para tantas outras pessoas que tem o diabetes como companheiro.

25 julho, 2016

Sobre obstáculos e oportunidades...


No início do ano a gente costuma fazer aquele balanço do que ficou pra trás e de tudo que carregamos com vontade para os próximos 365 dias.

Comigo não foi diferente e uma das coisas era uma dedicação maior na educação em diabetes.

Eu conheci este conceito sem nem saber que era uma coisa pensada, estudada e aprovada por quem mais entende do assunto. Para mim, o nome veio, a princípio, para explicar um pouco do que eu já andava fazendo.
Educação em diabetes, numa maneira bem simples e direta, significava dividir a minha experiência convivendo com a doçura, mostrar os passos dados na direção certa e os tropeços do caminho, falar de descobertas, de possibilidades e aprendizados, muitos deles! De uns anos pra cá, eu percebi que isso tudo tinha como base o conceito firme de educação.

Eu não sou educadora formada ou certificada e nem quero tirar o mérito desses profissionais que tanto respeito. Da mesma maneira, não sou formada em qualquer especialidade de saúde. Meu conhecimento vem do que eu busco para mim, desde o meu diagnóstico. Vem do que eu questiono, do que eu pergunto, da parceria da minha endócrino que nunca deixa me esclarecer qualquer coisa e do que eu entendo que seja importante para viver melhor a cada dia, independente do diabetes.

Pensando assim, fui buscar a técnica quando descobri que existia esta possibilidade... Uma universidade de São Paulo oferece o curso de Pós-Graduação de Formação de Educador em Diabetes. Meses tentando obter as informações sobre os requisitos para poder cursar (as aulas são online) e finalmente me foi dito que era preciso ter apenas uma graduação, qualquer que fosse.

Fiz a avaliação e fui aprovada. Matrícula feita, expectativa lá no alto e uma alegria enorme.

Foi, por 1 mês e meio.
Em maio fui surpreendida com a notícia de que minha matrícula seria cancelada, pois eu não sou formada em nenhum curso da área da saúde.

Não vou contar aqui todo o desenrolar da história - é longa e já me desgastou o suficiente. O que quero registrar é o tamanho da minha decepção e indignação com o que aconteceu. A Universidade foi falha, irresponsável e, no final das contas, alegou que hoje há a informação de que este requisito está claro nas especificações da Pós lá no site da instituição (apenas pontuando: quando fiz a avaliação, fui aprovada e me matriculei, não havia qualquer detalhamento na página deles e jamais me foi solicitada esta comprovação). Além de ter me custado grandes discussões, ainda fui desrespeitada por uma Associação da área, que acabou entrando no jogo porque foi obrigada a cancelar também a minha inscrição num Congresso sobre diabetes.

Justiça seja feita, fui reembolsada em 100% dos valores despendidos. Mas, honestamente, isso era o mínimo!

Meu objetivo com a pós era tão somente ampliar o meu entendimento sobre a patologia, para me cuidar melhor, para poder dividir mais.

Deixei a poeira baixar e a raiva dar uma amansada. Confesso que deu até uma desanimada em relação ao meu IP, mas passou! Só que a sensação de ser colocada em julgamento foi péssima e me fez pensar muito no que faço aqui.

Não faço por vitrine, não faço para ser reconhecida e menos ainda achando que sou a maior entendedora do assunto.

Vou lá em dezembro de 2010, no primeiro post deste blog, para trazer de volta o que eu escrevi naquelas primeiras linhas e que segue sendo meu norte: "Minha única intenção é passar um pouco da minha experiência como portadora de Diabetes Tipo 1. Apesar de ser uma doença (e séria), descobri que é perfeitamente possível (con)viver com ela."

Sigo nessa base. Sigo com este foco.

E a boa nova é que as oportunidades aparecem e comigo não foi diferente. Depois de todo esse transtorno, na última semana veio a indicação para um curso sobre comunicação em saúde nas redes socais da Fiocruz. Uau!!
Pois então, inscrição feita aos 45 do segundo tempo e hoje saiu o resultado: fui selecionada.

Lá vou eu, animada e feliz com esta possibilidade de agregar conhecimento com um especialista no tema e numa instituição que eu tanto respeito.

Por que? Para que?
Porque ainda há muito o que fazer!


Enquanto as pessoas não entenderem o que é o diabetes, há o que fazer.
Enquanto o diabetes for tratado como a 'doença do açúcar', há o que fazer.
Enquanto o paciente não tiver voz, há o que fazer.
Enquanto a educação em diabetes não for levada como parte do tratamento, há o que fazer.
Enquanto faltar insumos e medicamentos vitais para quem precisa diariamente, há o que fazer.
Enquanto diabéticos forem tratados com descaso e desrespeito, há muito o que fazer!



E enquanto tiver isso tudo aí a ser feito eu vou buscar forças, seguir acreditando e vou fazer.



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