Aqui no IP estão expostos os meus medos, as minhas descobertas, as conquistas, os avanços nas buscas pela cura do diabetes pelo mundo, os passinhos para um melhor controle da glicemia.

O que começou como um espaço de aprendizado e de dividir a minha convivência com o DM1, se transformou em estímulo para um melhor controle da minha doçura e para seguir mostrando que se funciona para mim, pode funcionar também para tantas outras pessoas que tem o diabetes como companheiro.

30 abril, 2015

De mãos dadas!

A IDF publicou há um tempo atrás a Carta de Direitos e Responsabilidades das pessoas com Diabetes.

Na Carta, são definidos três princípios fundamentais:
1. O direito ao cuidado
2. O direito à informação e educação em diabetes
3. O direito à justiça social

A Federação Internacional de Diabetes vem trabalhando para garantir o cumprimento de cada um destes princípios.
Como parte deste trabalho e buscando chamar a atenção para a importância que estes direitos tem na vida de cada pessoa com diabetes, eles publicaram o Diabetes Storybook (um livro de estórias sobre a convivência com o DM), que pode ser acessado online.

Os personagens são reais, assim como cada depoimento.

Qualquer semelhança com a minha ou a sua vivência, não são mesmo só uma coincidência. São o ponto de partida para mostrar o quão comum são as dúvidas e os desafios que o DM traz.

O objetivo maior é deixar cada vez mais forte a certeza em todos nós de que temos o direito a tratamento, insulina, remédios e atenção.

Reproduzo aqui, na íntegra, um dos depoimentos do livro, o do brasileiro Franclim Gomes Moreira:
My name is Franclim Gomes Moreira, I am 69 years old and currently retired. I discovered that I had diabetes when I was 35. Shortly thereafter, I was diagnosed with cardiovascular problems and underwent an angioplasty. I was also evaluated by an ophthalmologist who confirmed that I was at an initial stage of diabetic retinopathy.
Thanks to careful follow-up, these complications were identified early and could be treated, preventing more severe consequences. However, my kidneys were extremely weak, I was losing too much protein through my urine and my creatinine level was very high. After trying many different medications and dosages, the doctors at the Brazilian National Association for Diabetes (ANAD) finally prescribed me a treatment that worked and stabilised my blood glucose levels.
There was only one problem: after six months of treatment, I could not afford my medication anymore. My doctor filled in innumerable forms, reports and receipts to be submitted to the Ministry of Public Health for the “provision of high cost medication”, but my request was rejected twice. I was desperate, as I did not want to go back to living without control, running to hospitals, being afraid of dying and my family being constantly worried.
Asking ANAD’s lawyer for guidance, he helped me to win my case and I was informed that the government would provide me with the medicine I required. Thanks to this intervention , I’m healthy today! The fight isn’t easy, but I know that I have a place to go for treatment and support. I wish that everybody with diabetes knew that they must fight for their rights.

Em uma tradução livre, segue abaixo o depoimento em português:
Meu nome é Franclim Gomes Moreira, tenho 69 anos e estou aposentado. Descobri que tinha diabetes aos 35 anos. Pouco depois, fui diagnosticado com problemas cardiovasculares e submetido à uma angioplastia. Também fui avaliado por um oftalmologista que confirmou que eu estava no estágio inicial da retinopatia diabética.

Graças a um acompanhamento cuidadoso, estas complicações foram identificadas no início e puderam ser tratadas, prevenindo consequências mais sérias. Ainda assim, meus rins estavam extremamente fracos, eu estava perdendo muita proteína pela urina e meu nível de cretiniza estava muito alto. Depois de tentar diferentes medicamentos e dosagens, os médicos da Associação Nacional de Assistência ao Diabético (ANAD) finalmente prescreveram um tratamento que funcionou e estabilizou meus níveis de glicose no sangue.

Tinha apenas um problema: depois de seis meses de tratamento, eu não podia mais pagar pelos meus medicamentos. Meu médico preencheu diversos formulários, relatórios e receitas para serem enviados ao Ministério da Saúde para a 'provisão de medicamentos de alto custo', mas meus requerimentos foram recusados duas vezes. Eu estava desesperado, já que não queria voltar a viver sem controle, correndo para hospitais, com medo de morrer e tendo minha família constantemente preocupada.

Ao solicitar o suporte jurídico da ANAD, eles me ajudaram a ganhar a causa e eu fui informado que o Governo seria responsável por me disponibilizar os medicamentos. Graças a esta intervenção, estou bem e saudável atualmente! A briga não é fácil, mas eu sei que tenho a quem recorrer para tratamento e suporte. Eu gostaria que todas as pessoas com diabetes soubessem que eles devem lutar pelos seus direitos.

Nosso dever nesse acordo é levar a quem for preciso, sejam outros docinhos ou às autoridades, a lembrança sobre o que tem que ser cumprido.
E junto com isso a compreensão, para acabar com o estigma acerca desta 'doença' e, também, reafirmar que o diabetes não deve ser visto com um empecilho para qualquer coisa na vida. Basta que cada um tenha acesso a todos os recursos que precisa!

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